Há alguns anos escrevo sobre as projeções que apontam para o avanço da atuação da mão de obra sênior. Nos Estados Unidos, o relatório mais recente do U.S. Bureau of Labor Statistics – órgão que mede a atividade do mercado de trabalho – mostra que, na faixa de 65 a 74 anos, a participação na força de trabalho deve aumentar 13% na década entre 2023 e 2033. Para aqueles com 75 anos ou mais, a estimativa indica alta de 21,7%.
Reunião de trabalho: empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra — Foto: Shane Gaughan para Pixabay
Vidas profissionais longas são inevitáveis. Seja por necessidade financeira ou por mudanças nas políticas previdenciárias, as pessoas trabalharão por mais tempo. A economista Ana Amélia Camarano vai lançar, até o fim do ano, um novo livro que aborda essa tendência no Brasil. Um em cada cinco homens entre 70 e 79 anos continua na ativa, o equivalente a 20% do total de brasileiros nessa faixa etária. Entre as mulheres, o percentual é menor: 8,8%. Camarano define os trabalhadores idosos como “um ativo econômico que pode aumentar a produtividade agregada, a sustentabilidade previdenciária e a autonomia financeira desse grupo”, como registrou o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo .
Até 2030, de acordo com pesquisa da consultoria internacional Bain & Company, cerca de 150 milhões de postos de trabalho irão para pessoas acima dos 55 anos nas nações do G7, que reúne as principais economias do planeta: Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido. No entanto, o estudo adverte que poucas empresas estão se preparando para integrar os mais velhos a um ambiente multigeracional. O grande desafio que vem sendo ignorado é o aprimoramento de suas habilidades digitais.
Para os EUA, esse é um movimento indispensável, pois o país está ficando sem margem de expansão da força de trabalho em idade ativa. De 2025 a 2064, devido à queda nas taxas de natalidade e a políticas de imigração restritivas, estima-se que o contingente de 18 a 64 anos passe de 203 milhões para 212 milhões. Será um avanço de apenas 4% em um período no qual a população com 65 anos ou mais crescerá 44%.
Andrew Scott, professor da London Business School, afirma que longevidade e mudanças climáticas deveriam ser prioridades de todos os governos. Em seu livro The longevity imperative: building a better society for healthier, longer lives ( O imperativo da longevidade: construindo uma sociedade melhor para vidas mais longas e saudáveis ), defende que viver mais significa produzir por mais tempo, o que só reforça a importância de empresas e governos se mobilizarem para garantir acesso à educação contínua e a oportunidades para a mão de obra sênior. O recado é claro: precisaremos dos trabalhadores mais velhos se quisermos sustentar o crescimento econômico, e as empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra.
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