Por décadas, o Papanicolau foi sinônimo de cuidado com a saúde ginecológica. O exame, conhecido também como preventivo ou citologia, ajudou a reduzir os casos e as mortes por câncer do colo do útero em muitos países. Agora, o Brasil está trocando esse exame por uma tecnologia mais moderna: o teste de DNA-HPV.
A mudança pode gerar dúvidas. Afinal, muitas mulheres se acostumaram a fazer o preventivo com frequência, e a ideia de esperar mais tempo entre um exame e outro pode parecer estranha. A seguir, explicamos o que muda, por que muda e o que continua igual.
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O câncer do colo do útero está entre os tumores mais frequentes nas mulheres brasileiras. Nas estimativas do INCA para 2026 a 2028, ele aparece em terceiro lugar entre elas, sem contar o câncer de pele não melanoma. Quase todos os casos estão ligados à infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano, o HPV.
O Papanicolau funciona procurando alterações que o vírus já provocou nas células do colo do útero. O teste de DNA-HPV age um passo antes: ele procura o próprio vírus, identificando os tipos com maior potencial de causar câncer.
Em 2021, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o teste de DNA-HPV como método preferencial de rastreamento, por ser mais simples, mais objetivo e capaz de prevenir mais lesões e mortes do que a citologia.
Em 2025, o Ministério da Saúde publicou as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, que incorporam o teste molecular ao SUS. O exame é produzido no Brasil , pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
Para a mulher, a experiência é muito parecida com a do Papanicolau. A coleta é feita na unidade básica de saúde, por médico ou enfermeiro capacitado, com o uso de espéculo e de uma pequena escova. A diferença está no que o laboratório faz com o material: em vez de observar as células ao microscópio, ele analisa a presença do material genético do HPV.
O público-alvo continua o mesmo: mulheres e pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. Para populações com mais dificuldade de acesso, o Ministério da Saúde prevê também a possibilidade de autocoleta , em que a própria pessoa recolhe a amostra com orientação.
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