Mas ainda há muito o que resolver e avançar, de acordo com especialistas. Faltam profissionais em algumas regiões, há desigualdade no atendimento, existem problemas de estrutura, há filas que podem levar meses para um atendimento especializado. Além disso, o sistema é subfinanciado e sofre com interferências políticas, o que é um ponto problemático e base de boa parte dos problemas.
O SUS foi instituído em 1988, com a promulgação da Constituição Federal (CF), e oficialmente regulamentado em 19 de setembro de 1990. Mas sua origem é anterior. Ele foi gestado durante a Reforma Sanitária Brasileira , movimento que ganhou força na década de 1970 e defendia uma saúde democrática e acessível para todos. Entre as referências que inspiraram os sanitaristas brasileiros estava o National Health Service (NHS, na sigla em inglês) , o sistema público de saúde do Reino Unido, criado em 1948 com a proposta de oferecer atendimento universal.
De lá para cá, porém, a inspiração mudou de direção. Segundo o médico e PhD em epidemiologia Rômulo Paes de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), é o SUS que desperta o interesse de outros países.
Hoje, diz, o Reino Unido está muito interessado no modelo de atenção primária do Brasil, por causa da municipalização. A atenção primária é a porta de entrada do sistema e reúne serviços como consultas, vacinação, acompanhamento de doenças e prevenção. Outro ponto que chama atenção lá fora é a participação social, de acordo com o especialista.
“Um dos aspectos positivos da implementação do SUS nesses 36 anos, portanto, é o seu espetacular crescimento e a sua espetacular capilarização, sobretudo na atenção primária”, destaca Sousa.
Mas não foi apenas na atenção primária que o SUS se destacou, segundo especialistas. Ao longo de 36 anos, o sistema também acumulou resultados importantes em outras áreas da saúde pública.
Um dos avanços citados foi o Programa Nacional de Imunizações (PNI) , responsável pela vacinação gratuita em todo o país e que contribuiu para a eliminação ou o controle de diversas doenças, como poliomielite , difteria , tétano , entre outros. Outro é o setor de transplantes . O Brasil tem um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo e, segundo o Ministério da Saúde, mais de 90% das cirurgias de transplante são realizadas pelo SUS. Em 2025, foram registrados 31 mil transplantes de órgãos, segundo o relatório de gestão integrado da pasta.
O avanço no tratamento do HIV também foi mencionado. Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente medicamentos antirretrovirais pelo SUS. Há ainda o acesso a medicamentos para doenças crônicas. O Farmácia Popular , que complementa a assistência farmacêutica do SUS por meio de farmácias credenciadas, oferece gratuitamente medicamentos para condições como hipertensão , diabetes , asma , osteoporose , entre outros.
“Você ter a possibilidade de hoje ter medicamentos para cuidados crônicos, como diabetes e pressão, disponíveis na farmácia, faz com que você não dependa de ter renda para comprar esses medicamentos. Eu acho que isso é um super avanço do sistema”, afirma Julia Pereira, gerente de Relações Institucionais do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).
E tem também vigilância sanitária e epidemiológica, que permite acompanhar doenças, identificar possíveis surtos e organizar respostas antes que problemas de saúde pública ganhem proporções maiores. “Hoje a gente tem o mapeamento de possíveis epidemias e consegue pensar em como atuar e intervir”, afirma Pereira.
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