As canetas emagrecedoras deram mais um passo para chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde protocolou, na última quinta-feira (24), um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avalie a inclusão de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida para o tratamento da obesidade.
A eventual incorporação, porém, não significa que os medicamentos serão oferecidos automaticamente a qualquer pessoa com excesso de peso. Caso a tecnologia seja incorporada, o governo deverá estabelecer critérios clínicos para definir quais pacientes terão acesso ao tratamento.
A discussão ocorre em um momento de expansão acelerada desse mercado no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o número de pessoas que utilizam medicamentos da classe GLP-1 passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês. A pasta também afirma que os preços desses produtos caíram cerca de 70% em menos de um ano com a entrada de novos concorrentes.
A ampliação do acesso aos medicamentos acontece diante do crescimento da obesidade no país.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com obesidade nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. O levantamento considera adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m².
Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1 em cada 8 pessoas vivia com obesidade em 2022. A entidade classifica a condição como uma doença crônica e recidivante e, desde 2025, possui uma diretriz específica sobre o uso de terapias à base de GLP-1 no tratamento da obesidade.
A recomendação da OMS é condicional e considera que os medicamentos devem fazer parte de um tratamento mais amplo, com alimentação adequada, atividade física e acompanhamento de profissionais de saúde.
A patente da semaglutida expirou no Brasil em 20 de março de 2026. Em maio, a Anvisa registrou o Ozivy , primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico de referência. Desde então, novos medicamentos foram registrados pela agência.
Em julho, a Anvisa registrou cinco novas canetas de semaglutida e, em agosto, aprovou outras duas, incluindo um medicamento genérico produzido pela EMS. Esses registros, contudo, são voltados ao tratamento do diabetes tipo 2 e não significam, automaticamente, autorização para uso contra obesidade.
Já a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, recebeu da Anvisa, em 2025, indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições de saúde.
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