Ao ler a mensagem, Takamatsu acreditou que Yuko estava em segurança. Mas, no dia seguinte, quando conseguiu chegar ao hospital municipal onde os sobreviventes estavam sendo acolhidos, descobriu que ela não estava lá.
"Me disseram que ela tinha sido levada pelo tsunami", diz Takamatsu. "Depois disso, eu simplesmente não conseguia ficar de pé. Perdi todas as minhas forças, como se elas também tivessem sido levadas pela água."
Yasuo, Yuko e os filhos em uma fotografia de família. As duas crianças estavam na escola e sobreviveram ao desastre — Foto: Hiromi Tanoue
Nos dias e semanas seguintes, à medida que as águas recuaram, milhares de corpos foram encontrados ao longo da costa do Japão.
Durante dois anos, Takamatsu acompanhou mergulhadores da Guarda Costeira japonesa nas buscas por corpos, objetos pessoais e lembranças levados pelo tsunami.
"Aprendi a mergulhar. Sentia que, se continuasse mergulhando, um dia poderia encontrá-la", afirma Takamatsu.
Ele nunca parou de mergulhar. Já fez mais de 760 mergulhos, desde o fim dos seus 50 anos e ao longo dos seus 60 anos.
No Japão, os mortos continuam presentes no cotidiano por meio de rituais e práticas de lembrança, mesmo muito tempo depois da morte.
Na tradição Budista, a prática conhecida como Kuyō inclui rituais como fazer oferendas e rezar diante de um túmulo ou altar, com o objetivo de proporcionar paz e bem-estar aos entes queridos que morreram.
Mas como os restos mortais de Yuko nunca foram encontrados, Takamatsu não pôde prestar esse tipo de homenagem diante de um túmulo.
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