Cientistas resgataram o DNA de uma araucária gigante que caiu em Santa Catarina. O objetivo é gerar clones e preservar a espécie.
Pesquisadores da Embrapa coletaram brotos vivos do tronco 4 meses após a queda. O material passará por enxertia para gerar cópias com 100% do DNA.
Um disco de madeira do tronco foi retirado para analisar os anéis de crescimento. Hoje, restam apenas 3% da cobertura original da espécie.
A queda de uma das maiores árvores do país mobilizou equipes de pesquisadores em uma verdadeira operação de resgate científico.
A suspeita é de que a árvore tenha tombado em fevereiro deste ano, mas a queda só foi descoberta dois meses depois, no final de abril, durante a manutenção de uma estrada que corta a floresta.
Para garantir que a história e as características genéticas da árvore não se percam, cientistas da Embrapa foram ao local em busca de brotações vivas no tronco e nos galhos.
Durante o trabalho de campo, o especialista em clonagem Ivar Wendling, engenheiro florestal da Embrapa, surpreendeu-se ao encontrar ramos ainda emitindo brotos quatro meses após a queda. Além das amostras colhidas no chão, o pesquisador escalou uma araucária vizinha de grande porte para coletar brotos preservados na copa, a mais de 40 metros do solo.
O material recolhido foi levado para a sede da Embrapa Florestas, na Região Metropolitana de Curitiba.
Em estufa, os cientistas já produziram cerca de 50 clones a partir do método de enxertia. A técnica consiste em realizar uma pequena cirurgia vegetal, enxertando o ramo recolhido do Pinheirão em uma muda jovem produzida por semente.
Caso o enxerto se consolide após 100 dias, os pesquisadores obterão uma cópia com 100% do DNA da matriz gigante. O objetivo é conservar o patrimônio genético de uma árvore de longevidade e porte extraordinários.
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