O Grupo Fleury (FLRY3) anunciou na noite de ontem, 1, a compra de 100% da Unilab , rede de análises clínicas com sede em Atibaia (SP), por R$ 55 milhões em valor de firma ( enterprise value ), sujeito a ajustes e retenções previstos em contrato. A Unilab teve receita bruta de R$ 65 milhões nos 12 meses encerrados em maio, menos de 1% dos R$ 9,5 bilhões que o Fleury faturou nos últimos quatro trimestres.
O tamanho reduzido esconde um movimento que o grupo vem repetindo há quase dois anos. A Unilab, que também opera a marca Quantum Diagnóstico, tem 11 unidades em Atibaia, Bragança Paulista, Itatiba, Jarinu, Bom Jesus dos Perdões, Piracaia, Aparecida e Pindamonhangaba, além de Extrema, já em Minas Gerais. Em análise, a XP observa que a maior parte dessas cidades fica a cerca de 100 km da capital paulista.
Pelas contas da própria companhia, que soma 16 aquisições em medicina diagnóstica e seis em Novos Elos desde 2017, a Unilab é a 23ª compra do período. É também a primeira aquisição anunciada desde o laboratório Femme , acertado em novembro de 2025 e concluído em maio deste ano. No intervalo, o Fleury chegou a entrar, em março, nas negociações da Porto com a Oncoclínicas para criar uma nova empresa de oncologia, com aporte conjunto de R$ 500 milhões, mas desistiu da operação.
A Unilab se junta a uma sequência de compras no interior e na Grande São Paulo. Em junho de 2025, o Fleury concluiu a aquisição do Confiance , com 25 unidades em Campinas e região, por R$ 130 milhões. Em outubro, anunciou o LSL , de Rio Claro, por R$ 34 milhões. Em maio deste ano, fechou a compra do Femme , rede focada em saúde da mulher com 12 unidades, por R$ 207,5 milhões. Os números do Femme passam a ser consolidados a partir do terceiro trimestre.
O efeito das demais aquisições já apareceram no balanço do segundo trimestre. A receita bruta da divisão que a empresa chama de Demais Marcas SP , que reúne todas as bandeiras paulistas exceto a Fleury, cresceu 27,7% , para R$ 373,1 milhões. Desse avanço, 12,9 pontos vieram de crescimento orgânico e o restante das aquisições recentes. A Marca Fleury, que completa cem anos em 2026, cresceu 12,0% no mesmo período.
Com a Unilab, o grupo estende essa presença pelo eixo da Rodovia Fernão Dias, até Extrema, e pelo Vale do Paraíba. A XP classifica a transação como parte da estratégia de adensamento da companhia no estado.
O preço chama atenção. O Fleury pagou 4,3 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses da Unilab, múltiplo que cai para 3,5 vezes considerando as sinergias esperadas. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é uma medida aproximada do dinheiro que a operação gera, e o múltiplo indica quantos anos dessa geração o comprador está pagando no valor da empresa, incluindo as dívidas. Quanto menor o número, mais rápido o investimento tende a se pagar e mais barata é considerada a compra.
A comparação mais usada é com o múltiplo do próprio comprador. Segundo a XP, o Fleury negocia na bolsa a cerca de 6 vezes o Ebitda projetado para 2026 . Na prática, cada real de Ebitda comprado no interior custa menos do que o mercado atribui ao Ebitda da companhia, e ao ser incorporado ao grupo passa a ser avaliado pelo múltiplo maior.
O padrão se repete. No Confiance, o múltiplo foi de 5,3 vezes o Ebitda, ou 4,1 vezes com sinergias. No Femme, a companhia estimou 3,3 vezes após as sinergias.
Os múltiplos divulgados implicam um Ebitda na casa de R$ 13 milhões para a Unilab, ou margem próxima de 20% sobre a receita bruta, em linha com a estimativa da XP. A corretora calcula a margem do Fleury em cerca de 25% e projeta que ganhos em logística, compras e despesas administrativas levem a da Unilab para perto de 24%.
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