Ela acorda cedo, nada no rio, canta para multidões, faz suas orações e ainda apresenta o Pará aos seus convidados. É assim a rotina intensa de Fafá de Belém , de 70 anos, durante o Círio de Nazaré. A Quem acompanhou tudo de perto e, ao questionar a cantora de onde tira tanta energia, ela deu sua famosa gargalhada e rapidamente respondeu: “Eu durmo bem”. A programação frenética é seguida pela artista há 16 anos, desde que criou o Varanda de Nazaré , um evento no qual traz convidados para conhecer essa grande manifestação de fé e cultura.
Fafá criou a Varanda de Nazaré para que pessoas de outras partes do Brasil possam ver o que de fato é o Círio. “ Trago personalidades múltiplas, jornalistas, cantores, teólogos, padres, pais de santo, babalorixá, pastor e drags. Eu trago pessoas por quem eu tenho admiração pela sua trajetória, trago para ver no nosso povo, porque a gente é caboclo e ficamos muito felizes quando olham para a gente ”, afirmou.
O Círio é uma procissão católica, mas, para a cantora, ele deixou de ser apenas uma festa religiosa. Hoje, ela vê essa festa como parte da identidade do paraense. Esse clima de fato é sentido em Belém. Ao andar pela cidade, você se depara com ruas, casas e prédios enfeitados como no Natal. A cidade fica extremamente movimentada e o que mais se vê são romeiros que fizeram longas caminhadas chegando e recebendo apoio, comida e até massagem. A música está sempre presente, assim como o clima festivo mesmo em meio aos esforços para o pagamento de promessas.
“A devoção à Nossa Senhora é tão grande que aqui ela é Naza, Nazinha, Nazarezinha. Temos Nossa Senhora como uma entidade distante, mas ela é próxima. E, como ela é próxima, ela permite que a gente tenha uma intimidade muito grande com ela. O profano se mistura ao sagrado, então a cada ano as manifestações vão crescendo mais. Se você quer conhecer o Pará, venha durante o Círio. É a explosão do paraensismo”, comentou Fafá, que explicou que ao longo da celebração acontecem vários tipos de manifestações da cultura paraense, além de múltiplas procissões, incluindo uma fluvial.
Na história, por volta de 1700, um caboclo chamado Plácido encontrou uma pequena imagem de madeira às margens do Igarapé Murutucu, local onde hoje fica a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. Ele levou a santinha para casa, mas ela sempre sumia e retornava misteriosamente ao local onde foi encontrada. Hoje, o Círio de Nazaré acontece em duas etapas principais. A primeira é a trasladação no sábado à noite, quando há uma procissão do Colégio Gentil Bittencourt e segue até a Catedral Metropolitana de Belém (Igreja da Sé). No domingo pela manhã, a santa peregrina retorna ao santuário com os romeiros puxando uma corda com cerca de 400 metros.
Durante a trasladação e a procissão, Fafá fica na Varanda de Nazaré cantando e motivando os romeiros. A artista contou que não possui rituais para aguentar horas e horas cantando em meio a tanta energia: “Eu não sei [o que acontece]. A partir da procissão fluvial, eu não estou mais aqui. É muito difícil explicar isso em palavras, entendeu? Porque é muita emoção. Como sou uma pessoa muito sensível, de vez em quando, eu dou uma descolada. Agora, quando começa a transladação, aí não conte comigo. Eu ando, canto, passo, mas tenho muitos momentos onde eu não estou ali, euestou no meio da multidão”.
Com o sucesso da Varanda , outros espaços semelhantes foram surgindo e Fafá acabou criando uma nova forma das pessoas aproveitarem o Círio. “Acho maravilhoso. Quando eu comecei, há 16 anos, imaginei que no ano seguinte teriam outras. Há cinco anos começaram a surgir outros lugares, varandas… enfim, espaços para assistir ao Círio. Acho que é isso que é importante, porque cada um recebe na sua casa do seu jeito, mas o cardápio é um só: maniçoba e pato no tucupi, mas cada um tem um tempero diferente”, brincou.
Na visão da artista paraense, isso atraiu turistas para o estado. “A Varanda de Nazaré modificou e mexeu profundamente no turismo do Pará. Uma demanda de pessoas exige contratação. Quantos hotéis surgiram? Quantos restaurantes surgiram? Para a Varanda, nós empregamos 1.500 pessoas todo ano. A gente começa a contratar em março, e [a maioria] são trabalhadores paraenses”, enfatizou.
O folclore também é muito presente nessa festa e, com muito bom humor, a cantora aproveitou para dar um aviso: “Eu não arriscaria não estar atento quando tem um homem com chapéu na cabeça por perto. O Boto está aí e a Iara está por aí também. Está todo mundo solto na época do Círio. Aqui é tempo de encantaria, de crendice, de muito afeto e muita alegria. Acho que o diferente do Círio é que é uma fé feliz, é uma procissão que é alegre. Nossa fé pensa no futuro, não se apega ao passado. Ela não está aqui para punir ninguém, ela está aqui para perdoar e seguir em frente ”, concluiu.
Há 3 minutos Esportes Seguidores usam post de Virginia Fonseca para pedir que ela volte com Zé Felipe Virginia Fonseca e Zé Felipe ficaram juntos por 5 anos, mas casamento chegou ao fim em 2025, após terem três filhos e construírem base de fãs nas redes sociais que torcem até hoje para que eles voltem
Matéria completa e créditos no veículo de origem.
Ler notícia completa na fonte →