Projeto desenvolvido pelo Sistema Moddular de Ensino promove a educação ambiental, a cultura e a Agenda 2030 em comunidades ribeirinhas e envolve alunos em atividades de preservação
Nos rios, nas escolas, nas olarias e nas áreas de floresta, estudantes do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), em Abaetetuba, no Baixo Tocantins, encontraram diferentes formas de aprender sobre sustentabilidade. Em seis comunidades do município, conteúdos trabalhados em sala de aula foram relacionados aos saberes locais, às características ambientais da região e aos desafios vivenciados pela população ribeirinha.
A experiência integra o projeto “Entre Rios e Redes: Educação, Cultura e Sustentabilidade na Amazônia”, desenvolvido com apoio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEAM), da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Abaetetuba e da gestão escolar.
As atividades foram realizadas nos territórios do Rio Paramajó, Maúba Estrada, Rio Urubuéua, Rio Maúba, Rio Piquiarana e Rio Maracapucu Santa Maria. Em cada comunidade, os estudantes participaram de ações relacionadas à realidade local, envolvendo Educação Ambiental, preservação dos ecossistemas, valorização cultural, produção de conhecimento e participação social.
A experiência também se insere na política estadual de Educação Ambiental. O Pará foi o primeiro estado brasileiro a estabelecer a Educação Ambiental, Sustentabilidade e Clima como componente curricular obrigatório na rede pública estadual. Prevista na Lei Estadual nº 9.981/2023, a medida passou a ser implementada a partir de 2024 e alcançou mais de 500 mil estudantes da Educação Básica.
De acordo com a Seduc, a política considera as diferentes realidades do território paraense e, no caso das comunidades ribeirinhas, permite aproximar os conteúdos escolares dos modos de vida, dos saberes tradicionais e dos desafios ambientais vivenciados pelos estudantes. Em Abaetetuba, essa proposta ganhou forma a partir das características de cada comunidade.
“O 'Entre Rios e Redes, Educação, Cultura e Sustentabilidade na Amazônia' tem como objetivo principal promover uma educação ambiental crítica, contextualizada e transformadora, que reconhece e valoriza a identidade ribeirinha, os saberes tradicionais e as experiências dos estudantes em seu território”, explica a professora Meriam Abreu, responsável pelo projeto.
A professora explica que o território é o ponto de partida para a aprendizagem. “A escola aprende com o território. Os rios, as comunidades, os modos de vida, a cultura, o trabalho, os saberes e as relações estabelecidas entre a comunidade e o meio ambiente são elementos essenciais para a construção do conhecimento. O aluno deixa de ser um mero receptor de conhecimento e passa a ser um protagonista da sua própria história.”
A proposta foi adaptada às características de cada comunidade. No Rio Paramajó, os estudantes participaram da Olimpíada Restaura Brasil de Restauração dos Ecossistemas 2025 e desenvolveram atividades práticas de recuperação ambiental. A experiência também deu origem à Nossa COP Ribeirinha, com oficinas, exposições, debates, apresentações culturais e ações de restauração de um ecossistema de várzea no entorno da escola.
No Rio Urubuéua, as mudanças climáticas e a COP30 foram o ponto de partida para a realização da Central da COP, em parceria com o Observatório do Clima. Em Maúba Estrada, os alunos trabalharam a importância da floresta, os resíduos sólidos e a cartografia social, além de participarem da implantação do Bosque Agroecológico Domingos Moraes Ribeiro.
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