Thais e o marido mantiveram-se firmes, longe do vício e disciplinados nas tentativas de passar no Encceja. Neste ano, depois de estudar por vídeos do Youtube, ela foi aprovada e obteve o diploma do ensino médio. Agora, busca uma oportunidade no mercado de trabalho, apesar da falta de experiência no currículo.
“Só preciso de uma chance. Mas conquistei o principal: estudei. Você pode tirar tudo de uma pessoa, mas o que ela aprendeu, ninguém tira”, diz. “E outra: mente vazia é oficina do diabo.”
➡️No Brasil, mais de 40% dos adultos com mais de 25 anos não haviam concluído a educação básica em 2025. Segundo a Pnad Contínua (IBGE), aproximadamente 30% sequer terminaram o ensino fundamental.
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O Encceja passa a ser um caminho: a pessoa busca se preparar para a prova e, com o certificado de conclusão da escola, dá um passo em direção à reestruturação da vida.
É o caso de Luiz Ferreira Filho Tarcha, que, aos 57 anos, após décadas trabalhando na manutenção de antenas de TV, decidiu voltar aos livros.
“Estou me preparando para o Encceja. Fui expulso de casa aos 14 anos e parei de estudar na sexta série”, diz.
“É engraçado, né, faz uns 35 anos isso, e vou voltar. Não é fácil, não domino o conteúdo, não tenho paciência para redes sociais, estou todo atrapalhado, mas nada vai me fazer desistir de completar os estudos.”
Morando em Piancó, no sertão da Paraíba, ele sonha em conquistar o diploma do ensino médio para poder prestar vestibular e fazer faculdade de Libras (Língua Brasileira de Sinais).
“Trabalhei também como porteiro na Praia Grande [litoral de São Paulo]. É uma cidade turística, e vinha muita gente surda e muda. Poxa, eu ficava com vergonha de não poder servir até onde aquela pessoa precisava. Aí eu decidi: vou fazer Libras”, conta.
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