O atentado às escolas de Aracruz , no Espírito Santo, na última sexta-feira, 25, deixou quatro pessoas mortas . Duas professoras da Escola Estadual Primo Betti , a primeira a ser invadida, morreram no local e uma morreu no sábado, 26, após ser internada em estado grave e passar por uma cirurgia. A vítima mais nova foi Selena Sagrillo , uma menina de 12 anos que estudava no segundo colégio invadido pelo atirador, o Centro Educacional Praia de Coqueiral .
Os velórios das vítimas aconteceram neste fim de semana e foram marcados por homenagens e protestos. Conheça mais sobre elas:
Selena havia completado 12 anos em outubro. Ela era aluna do 6° ano do ensino fundamental da escola Centro Educacional Praia de Coqueiral, a segunda a ser invadida pelo atirador. Em uma carta aberta, a mãe da menina disse que ela “estava se tornando uma mulher poderosa, alma livre, feminina ”.
“A promessa de uma vida inteira foi desfeita. Todo um futuro interrompido. A custo do ódio, do desamor, do terror. Não venho aqui clamar por retaliação, pois de ódio, estou farta. Clamo por piedade e por segurança para nossas crianças serem as milhões de pequenas revoluções que elas poderiam ser”, disse em carta Thais Fanttini Sagrillo Zuccolotto, mãe de Selena. Leia a íntegra aqui .
Maria, mais conhecida pelo seu sobrenome, Penha, lecionava artes na Escola Estadual Primo Bitti sob contrato de designação temporária desde março deste ano. A professora morreu no local logo após o disparo dos tiros. Ela deixou o marido, o eletricista Wellington Banhos, e três filhos : um menino de 11 anos e duas meninas, de 7 e 17 anos.
À imprensa, Wellington contou que soube do ataque por meio da filha mais nova. “Minha filha mandou mensagem para mim, fui ao hospital para verificar e fui para a escola. Eu queria ver ela, abraçar ela. Mas não consegui”, disse.
Assim como Maria da Penha, Cybelle também morreu na escola em que trabalhava, a Primo Betti, após os tiros. Ela era mestre em Matemática pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e lecionava a disciplina na escola desde 2018.
Na mesma semana em que foi morta, Cybelle havia recebido a premiação de Boas Práticas da Educação em um evento que aconteceu na própria escola e contou com a presença do governador reeleito Renato Casagrande (PSB).
Flávia era professora de Sociologia na Escola Estadual Primo Bitti. Ela tinha título de mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e era doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela chegou a ser internada no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves (HEJSN), em Serra, e passou por uma cirurgia, mas morreu no dia seguinte ao atentado.
Em nota, o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFES disse que “Flávia dedicou sua trajetória acadêmica aos estudos juntos às comunidades pesqueiras e tradicionais do Espírito Santo”. “Aguerrida e doce, sempre acreditou num mundo e num país mais justo e democrático, e sempre esteve à frente em busca dessa conquista. Foi uma pessoa dedicada em tudo que realizou. Uma pesquisadora brilhante e atenta, respeitosa e responsável ”, diz o texto.
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