Em Estrasburgo, cerca de 500 quilômetros a leste de Paris, centenas de estudantes, muitos vestidos de preto, bloquearam a circulação diante da escola Couffignal, inclusive o tráfego de bondes. Grandes contêineres de lixo foram colocados no chão e incendiados.
Neste semana, a França enfrenta uma onda de protestos, com greve de servidores públicos e confrontos entre estudantes e policiais. A situação atingiu o ápice a poucos dias da apresentação do orçamento e a poucos meses de uma eleição presidencial na qual a extrema direita aparece como favorita.
Na terça-feira (29), cerca de 200 mil manifestantes foram às ruas em todo o país, dos quais quase 30 mil em Paris, segundo o Ministério do Interior. Mais de 170 marchas foram convocadas para reivindicar reajustes dos salários dos servidores, corroídos pela inflação, e "recursos orçamentários à altura" das necessidades da administração pública.
"Mesmo com 40°C, nossos salários continuam congelados" , dizia um cartaz na marcha em Lyon, após um verão de calor intenso que pôs à prova os bombeiros e o sistema de saúde.
"Estamos nos manifestando hoje porque precisamos ser recebidos pelo ministro", disse Nicolas March, bombeiro de 52 anos que chegou com seus colegas à Praça da Bastilha, em Paris, sob os aplausos dos demais manifestantes.
As reivindicações dos servidores incluem a perda do poder de compra, o número insuficiente de funcionários, a deterioração das condições de trabalho e, em alguns casos, a precariedade diante dos cortes orçamentários.
Estudantes do ensino médio, que protestam desde a semana passada por melhores condições na educação, protagonizaram um dia de confrontos violentos na terça-feira. Grupos de adolescentes incendiaram contêineres de lixo e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo.
Os conflitos levaram à detenção de 440 pessoas , informou o Ministério do Interior. Também houve feridos, entre eles dez funcionários e vários alunos.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou a abertura de ações judiciais pelos atos de violência.
"Essa violência é indescritível (...) Legitimá-la ou pedir, neste contexto, que os bloqueios sejam ampliados é colocar em perigo tanto nossos alunos quanto os servidores públicos", escreveu na rede X.
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