O americano Karl Deisseroth, um dos três vencedores do Nobel de Medicina de 2026, divulgou o vídeo do momento em que conta aos filhos que havia sido premiado. (Veja o vídeo acima)
Nas imagens, o pesquisador da Universidade Stanford acorda as crianças e explica que, bem cedo, recebeu um telefonema do comitê em Estocolmo com a notícia.
A reação das duas filhas e do filho é de euforia ao descobrir que o pai acabava de conquistar a principal distinção da ciência mundial.
O segredo se estende a quem não levou. O comitê só revela os nomes indicados 50 anos depois de cada edição: hoje, é possível consultar apenas as indicações feitas até 1975. Os concorrentes de Deisseroth e seus colegas só serão conhecidos em 2076.
O trio foi premiado pela descoberta de canais iônicos controlados pela luz e pela criação da optogenética, técnica que permite ativar ou silenciar neurônios com feixes luminosos.
A história começa numa alga de água doce formada por uma única célula, a Chlamydomonas. Hegemann e Nagel queriam entender como um organismo sem olhos percebe a luz e nada em direção a ela. No início dos anos 2000, encontraram a resposta: uma proteína na superfície da alga, a canalrodopsina, que se abre como uma comporta quando atingida por luz azul e deixa entrar partículas com carga elétrica.
A dupla notou ainda que, ao inserir o gene dessa proteína em outras células, elas também passavam a reagir à luz.
Foi aí que Deisseroth, psiquiatra e bioengenheiro, enxergou uma ferramenta. Como os neurônios se comunicam por sinais elétricos, ele levou a proteína da alga para dentro deles. Em 2005, mostrou que neurônios de ratos cultivados em laboratório disparavam sempre que iluminados. Dois anos depois, repetiu o feito no cérebro de camundongos vivos.
O avanço está na precisão. Remédios e correntes elétricas atingem muitas células ao mesmo tempo, o que explica parte dos efeitos colaterais dos tratamentos. Com a optogenética, dá para escolher um único tipo de neurônio e ligá-lo ou desligá-lo em milésimos de segundo, sem alterar os vizinhos. Se o comportamento do animal muda, há uma pista forte de que aquelas células participam dele.
Em camundongos, a técnica já ajudou a mapear circuitos ligados à memória, ao medo, ao vício e ao Parkinson. Em pessoas, os testes ainda se concentram nos olhos, mais fáceis de alcançar: em 2021, um paciente com uma doença degenerativa da retina recuperou parte da visão e voltou a localizar alguns objetos. Levar o gene e a luz até o cérebro humano é o desafio que ainda separa a técnica dos hospitais.
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