João de Deus e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola foram condenados nesta terça-feira (6) a pagar R$ 20 milhões em indenização em Abadiânia.
A sentença aponta que João de Deus usava a estrutura física e a credibilidade do centro espírita para cometer violações sob pretexto de atendimentos espirituais.
A defesa de João de Deus informou que recorrerá da decisão por considerá-la desproporcional. Os recursos obtidos serão destinados a políticas de prevenção contra a violência sexual.
O Ministério Público destacou que a condenação traz reparação simbólica para mulheres cujos crimes prescreveram devido à idade do réu, atualmente com 84 anos.
João de Deus cumpre prisão domiciliar e suas condenações criminais somam mais de 200 anos por crimes como estupro e estupro de vulnerável cometidos contra frequentadoras.
João de Deus e centro espírita são condenados a pagar R$ 20 milhões por danos morais
Para a promotoda de Justiça do Ministério Público de Goiás Gabriella de Queiroz Clementino, a atuação do MP estabeleceu um marco de justiça social ao atingir diretamente os bens de João Teixeira de Faria e do centro o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola. João de Deus e o centro foram condenados de forma solidária a pagar R$ 20 milhões em indenização por danos morais coletivos em Abadiânia , no Entorno do Distrito Federal.
"A decisão reconhece que os abusos cometidos ao longo de décadas não representam apenas lesões individuais, mas uma grave violação transindividual aos valores da sociedade, à dignidade feminina e à confiança depositada em espaços religiosos de acolhimento", disse Gabriella.
Fruto de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) , o resultado possui um caráter histórico e pioneiro, com a tutela coletiva aplicada para responsabilizar patrimonialmente um líder religioso e sua instituição por atos ilícitos sistêmicos contra a dignidade sexual das mulheres , pontuou a promotora.
"É uma resposta que olha para o passado, reparando, mas também para o futuro, prevenindo. Pune o agressor, repara as vítimas e devolve dignidade à comunidade de Abadiânia" , disse Gabriella.
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