Segundo Luiz Aragão, pesquisador do Inpe, o índice está pouco acima da média histórica e abaixo do registrado em 2024, ano em que a fumaça da Amazônia chegou ao Sudeste.
O que agrava a situação no Amazonas é o contexto em que esse fogo acontece: uma floresta seca, sem chuva à vista, com incêndios muito próximos a uma capital.
🔴 E você pode se perguntar: se o desmatamento está no menor nível da série histórica, por que há tanto fogo?
Entre janeiro e junho, o Deter, sistema de alertas do Inpe, identificou 1.295 km² de áreas sob alerta de perda de vegetação nativa na Amazônia. É o menor patamar para o período desde o início da série histórica, em 2016.
O que Aragão explica é que a maior parte dos focos não está em áreas alvo de desmatamento, mas em pastos e áreas já desmatadas, muitas vezes na borda da floresta. Com a vegetação seca, o incêndio toma grandes proporções e fica difícil de controlar.
“Com a intensificação do El Niño, essas fontes de ignição que estão queimando nas áreas de pastagem, nas florestas secundárias, tendem a entrar nas florestas, que estão numa condição muito mais seca devido à falta de chuva. A somatória desses fatores é que gera esse aumento das queimadas e toda essa fumaça que atinge diretamente a população e a sua saúde”, explica Aragão, que atua na área de monitoramento ambiental por satélites.
Nesta sexta-feira, Manaus registrou a pior qualidade do ar do país, carregado de partículas liberadas pelas queimadas. — Foto: EDMAR BARROS/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Com o alerta do El Niño e a seca na região, no entanto, especialistas apontam que o fogo deveria ter sido suspenso antes, o que não ocorreu. Após um agosto sem um dia de chuva e um começo de setembro sob chamas, o governo suspendeu o fogo com um decreto em 9 de setembro.
Após a medida, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) solicitou que o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) apure se as ações do governo estadual para combater queimadas, incêndios florestais e episódios de poluição atmosférica durante o período de estiagem em 2026 são suficientes e efetivas.
Em resposta ao g1 , o Ministério do Meio Ambiente informou que o Ibama atua no combate a 20 incêndios no Amazonas e que outros 211 já foram extintos.
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