Pretinho da Serrinha chega a Olinda com o "Batuke do Pretinho" neste domingo (11) - Foto: Fernando Young/Divulgação O samba pode até ter endereço, mas não fronteira. Neste domingo (11), o Batuke do Pretinho da Serrinha chega a Olinda com Marcelo D2 e Taiguara Borges entre os convidados e uma proposta que combina repertório aberto, encontros entre músicos e espaço aberto para o inesperado.
Na Mansão Matuta, a roda comandada pelo requisitado percussionista, compositor, arranjador e produtor carioca transforma a experiência acumulada em décadas de música em um formato que privilegia a troca, inclusive com quem faz som na cidade que recebe o projeto.
A apresentação integra a primeira turnê nacional do Batuke do Pretinho, iniciada em 2026, com passagens por dez cidades brasileiras. Para Pretinho, a circulação também é uma oportunidade de aproximar tradições musicais e conhecer artistas fora do circuito em que construiu sua carreira.
“O Batuque não é um show, o batuque é uma roda de samba”, define o músico, em entrevista à Folha de Pernambuco. A diferença aparece na prática: não há um roteiro inteiramente fechado nem ensaio prévio com cada convidado. A condução depende do repertório que os músicos conhecem, das escolhas feitas no palco e da resposta do público.
Roda de samba A liberdade é parte central da proposta. Nas edições do Batuke – que, nesta turnê, já passou por Niterói (RJ), Juiz de Fora (MG) e chega a Salvador (BA) neste sábado (10) – Pretinho costuma convidar artistas e também pode chamar para o palco alguém que descubra na plateia. A intenção é fazer da apresentação uma experiência que se constrói no momento, sem perder o cuidado com a música e com quem participa dela.
O Batuke do Pretinho é uma roda de samba. “Eu tento não deixar virar um show”, explica. Para ele, a dinâmica exige atenção às necessidades de cada convidado: quando alguém chega ao palco, o músico assume a “skin” de diretor musical, organizando a banda, combinando tons e entradas e criando condições para que o artista se sinta seguro. Depois, volta a condução mais livre da roda.
Em Olinda, a conversa com a cultura local já está no horizonte. Pretinho quer incluir referências da região e abrir espaço para manifestações que possam dialogar com o samba. Ele adianta, por exemplo, que já enviou mensagem para o Mestre Anderson Miguel – com quem Pretinho trabalhou no projeto “Elo feat dos Sonhos”, na canção “O Trono”, que o Mestre gravou com Lenine –, convidando-o para este domingo.
“Eu quero ter sempre algum artista local”, afirma, ao falar dos convites a músicos das cidades visitadas. Pretinho quer descobrir o que pode surgir quando a roda encontra outras tradições. Na entrevista, cita a possibilidade de levar para o samba elementos do maracatu e de incorporar instrumentos como a alfaia a futuras experiências musicais.
Da Serrinha para os grandes palcos A disposição para reunir pessoas tem raízes na formação de Pretinho. Criado no Morro da Serrinha, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, ele cresceu em contato com o jongo, as rodas de samba e a escola de samba Império Serrano.
Aos 10 anos de idade, tornou-se mestre de bateria do Império do Futuro, experiência que ajudou a desenvolver uma característica que atravessaria toda a sua carreira: a capacidade de organizar músicos e enxergar o conjunto, não apenas a própria parte.
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