A fim de dar voz para aquelas que, muitas vezes, não têm as mesmas oportunidades que os homens em suas áreas, e servir de inspiração para futuras gerações, o g1 reuniu, nesta terça-feira (11), Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência , histórias de biólogas, agrônomas, veterinárias e biotecnólogas do interior de São Paulo que transformam a sociedade à sua própria maneira.
Mara Furlan atua como pesquisadora e coordena o programa de melhoramento genético da videira no IAC de Jundiaí (SP) — Foto: Arquivo pessoal
Mara Fernandes Moura Furlan é formada em agronomia na Universidade Federal da Goiás, com mestrado e doutorado em genética e melhoramento de plantas. Há 20 anos no Instituto Agronômico (IAC) de Jundiaí (SP) , atua como pesquisadora e coordena o programa de melhoramento genético da videira . Segundo ela, a determinação e a resiliência são companheiras de longa data.
"Quando assumi a vaga de melhorista no IAC, alguns funcionários de campo comentaram que eu não permaneceria por muito tempo, mesmo porque era mulher . Mas, com o passar do tempo, com a mentoria do pesquisador Maurilo Monteiro Terra, fui criando meu próprio espaço . Não só continuei minha carreira de pesquisadora, mas fui diretora do Centro de Pesquisa por nove anos, além de mais cinco anos na diretora científica do Centro de Frutas. É questão de impor respeito e demonstrar competência ", afirma.
Mara é formada em agronomia na Universidade Federal da Goiás, com mestrado e doutorado em genética e melhoramento de plantas — Foto: Arquivo pessoal
Filha de pai pecuarista, a agrônoma conta que sua opção inicial era cursar zootecnia, e trabalhar com melhoramento genético de bovinos. No entanto, ela teve contato com a pesquisa de plantas e acabou se apaixonando pela área.
"Quando estava no último ano de agronomia, fui fazer meu estágio curricular em uma grande empresa de ferro níquel que tinha um reflorestamento grande e trabalhava com melhoramento de eucalipto, e me surpreendi. Foi aí que um professor meu, Edward Madureira, me convidou para fazer a seleção para o mestrado em melhoramento. Fiz, passei e, mesmo antes de me formar, já estava começando minha carreira de pesquisa", conta.
Mara conta que teve contato com a pesquisa de melhoramento genético em plantas ainda na faculdade — Foto: Arquivo pessoal
Atualmente, Mara trabalha com avaliação da adaptabilidade de novas variedades de uvas viníferas em condições de São Paulo. Para ela, apesar de a ciência ainda ser um ambiente composto por muitos homens, as mulheres estão conquistando seus espaços com muito mérito e sucesso.
"Tenho amigas super competentes dentro do IAC e fora do IAC que são fontes de inspiração. Nunca pensei em desistir da carreira, sempre fui determinada e resiliente. Gostaria de ser inspiração para meninas e mulheres que sonham em se tornar pesquisadoras, pois estaria deixando meu legado, que é contribuir para a ciência, desenvolvimento, tecnologia e formação de recursos humanos", diz.
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