Com o nascer do sol, o solo volta a aquecer e o ar próximo à superfície se movimenta mais. Isso aumenta a dispersão da fumaça e das partículas de poluição na atmosfera.
Por isso, a fumaça pode ficar menos visível e a qualidade do ar melhorar gradualmente durante a manhã, mesmo que os incêndios continuem ativos.
"Não significa necessariamente que estejam ocorrendo mais queimadas à noite; muitas vezes é a atmosfera que perde capacidade de dispersar a poluição nesse período. Esse comportamento é compatível com o padrão observado por redes de monitoramento como o Selva", acrescentou Andrea.
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Além das condições que favorecem o acúmulo de fumaça e poluição durante a noite, o fenômeno climático El Niño pode contribuir para prolongar os efeitos das queimadas na região amazônica. Andrea explica que o El Niño não produz a fumaça nem inicia os incêndios, mas pode favorecer condições que pioram o cenário.
O fenômeno é relacionado a alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Na Amazônia, períodos com chuvas mais irregulares ou abaixo da média, temperaturas elevadas, vegetação mais seca e menor umidade do solo facilitam a propagação de incêndios já ativos.
A baixa incidência de chuvas também reduz a lavagem atmosférica, processo pelo qual a água remove parte das partículas suspensas no ar. Quando esse processo não acontece por falta de chuva, a poluição permanece por mais tempo na atmosfera.
"Foi justamente essa combinação de estiagem, calor, baixa umidade e transporte pelos ventos que já utilizamos nas análises anteriores sobre Manaus", explicou a meteorologista.
Animação mostra como o El Niño se fortaleceu no Oceano Pacífico entre março e setembro de 2026. Tons de vermelho e branco indicam áreas onde o nível do mar ficou mais alto que o normal. — Foto: NASA/JPL-Caltech
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