A seca do rio Madeira em Porto Velho motivou decreto de situação de emergência municipal e afeta cerca de 22,9 mil pessoas em 85 localidades ribeirinhas.
Dados do SipamHidro mostram que o rio Madeira está mais de 1 metro abaixo do nível esperado para o período regular de estiagem na região Norte.
Moradores de comunidades como Bom Será e Brasileira relatam falta de água potável, perda de produção agrícola de banana e dificuldades para estudantes chegarem às escolas.
Nesta terça-feira (6), o rio marcou 2,62 metros, enquanto a média prevista era de 3,9 metros. O fenômeno El Niño agravou a estiagem deste ano.
O decreto municipal permite solicitar apoio federal para fornecer água potável. A Marinha restringiu a navegação noturna e o DNIT prevê dragagem até novembro.
A seca do rio Madeira mudou a rotina de quem vive às margens do curso d'água, em Porto Velho . Sem água potável e com dificuldades para se deslocar de barco, moradores enfrentam problemas para manter atividades que garantem a renda das famílias e até para chegar à escola.
🔎 A região Norte possui períodos regulares de estiagem, popularmente conhecidos como "verão amazônico", que ocorre entre julho e novembro. No entanto, monitoramentos feitos pelo SipamHidro, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que o rio está mais de um metro abaixo do esperado para esta época do ano.
Na comunidade Bom Será, a presidente da associação local, Elizete Mota Leite, conta que os moradores não têm um poço próprio para abastecer a região. A única alternativa disponível atende apenas parte das famílias e, segundo ela, não fornece água potável.
"A gente se preocupa também de secar o nosso poço, o poço artesiano que a gente tem lá na beira da estrada. Meu esposo trabalha de cobrador, então ele leva o galão, traz um galão, só que aí pra nós somos seis, são quatro crianças e dois adultos, né, pra tu ver um galãozinho de água daquele é rapidinho, é rápido demais relatou.
A falta de água também afeta a produção agrícola. A agricultora Maria Rita conta que ficou quase quatro meses sem conseguir retirar a produção de banana do bananal. Sem condições de chegar ao local, parte dos frutos estragou antes de ser transportada.
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