Desde Santa Maria , no coração do Rio Grande do Sul, os ideais do Fórum Social Mundial – um novo mundo possível e uma nova economia que já acontece – voltam a ser enunciados com voz forte, alegria, cores e diversidade neste final de semana. A partir desta sexta-feira (10), a cidade se torna a capital latino-americana da economia solidária, com a realização da 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (Feicoop).
Neste ano, a Feicoop reunirá 556 empreendimentos de economia solidária, agricultura familiar, cooperativismo popular, povos tradicionais, artesanato, agroecologia e iniciativas comunitárias, consolidando-se como um dos maiores espaços de comercialização, formação política e intercâmbio de experiências do continente. A expectativa da organização é receber milhares de visitantes durante os três dias de programação.
Realizada no Centro de Referência Dom Ivo Lorscheiter, no Parque da Medianeira, a Feicoop é promovida pelo Projeto Esperança/Cooesperança, em parceria com diversas instituições públicas e organizações da sociedade civil. Ao longo de mais de três décadas, tornou-se uma referência internacional na construção de alternativas econômicas baseadas na cooperação, na autogestão, na justiça social e na sustentabilidade.
Os preparativos começam ainda na quinta-feira (9), com a chegada das caravanas de diferentes regiões do Brasil e de países vizinhos. O credenciamento dos participantes e a organização coletiva dos espaços da feira acontecem em regime de mutirão, reafirmando um dos princípios históricos da economia solidária: o trabalho construído de forma coletiva.
Durante toda a sexta-feira, sábado e domingo (10, 11 e 12), os visitantes poderão conhecer centenas de empreendimentos que oferecem alimentos agroecológicos, artesanato, confecções, plantas medicinais, sementes crioulas, produtos da agricultura familiar e camponesa , cosméticos naturais, livros, biojoias e diversos outros produtos elaborados por cooperativas, associações e grupos produtivos.
Mais do que um espaço de comercialização, a Feicoop também será um grande fórum de debates sobre os desafios da economia solidária no Brasil. A programação reúne dezenas de seminários, oficinas, rodas de conversa e encontros que discutirão temas como reforma tributária, finanças solidárias, moedas sociais, cooperativismo, agricultura urbana, agroecologia, políticas públicas, cultura popular, soberania digital, saúde mental, educação popular, direitos humanos, juventude, etnodesenvolvimento, soberania alimentar, mudanças climáticas e fortalecimento das redes de economia solidária.
Entre os destaques da programação estão o Encontro Nacional de Redes de Cooperação Solidária ; o seminário sobre os impactos da Moeda Social Mumbuca na experiência de Maricá (RJ); os debates sobre o novo marco legal do cooperativismo solidário; os encontros dedicados às sementes crioulas, às finanças solidárias, à agroecologia e às políticas públicas de economia popular e solidária; além de atividades voltadas à cultura, ao software livre, às mulheres negras, aos povos tradicionais e à organização da juventude.
A abertura oficial da 32ª Feicoop ocorre na sexta-feira, às 16h30, após a mística de abertura, tradicional momento de celebração que reúne participantes de diferentes territórios e expressa os valores da solidariedade, da diversidade e da construção coletiva.
A edição de 2026 também presta homenagem a duas figuras fundamentais para a história da economia solidária e da agricultura popular no Rio Grande do Sul: o frei Sérgio Antônio Görgen e o músico e compositor Zé Martins , ambos falecidos neste ano.
Frei Sérgio será lembrado durante a programação de abertura e também através dos espaços organizados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ). Zé Martins, por sua vez, será homenageado pelos participantes do projeto Canta Lomba e também pelo ICPJ e o jornal Brasil de Fato .
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