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O impacto político: quando Três Lagoas não amplia sua representação

RCN 67há 2d10 de out. de 2026👁 2 leituras

Imagem: RCN 67

Leia o artigo de José Augusto Morila Guerra, membro da Academia de Medicina de MS e membro da Academia Maçônica de Letras de MS. A eleição de 2026 trouxe uma mudança importante no cenário político de Três Lagoas : a cidade voltou a eleger um deputado estadual. Ângelo Guerreiro foi eleito para a Assembleia Legislativa com 37.704 votos. O fato precisa ser reconhecido, mas não encerra a discussão sobre a representação política do município. Durante os últimos quatro anos, Três Lagoas não teve um deputado estadual com domicílio eleitoral na cidade. Agora, essa lacuna foi preenchida no âmbito estadual. Mas permanece outra questão: a cidade continua sem um deputado federal diretamente identificado com Três Lagoas.

E Brasília é fundamental. Três Lagoas deixou há muito tempo de ser apenas uma cidade importante do interior de Mato Grosso do Sul. É um dos principais polos industriais do Estado e parte fundamental da chamada Costa Leste , região cuja importância econômica ultrapassa os limites municipais. A força econômica da Costa Leste precisa também encontrar correspondência em sua força institucional. Porque desenvolvimento não depende somente de empresas, empregos e investimentos. Depende de rodovias, ferrovias, saneamento, saúde, educação, segurança, infraestrutura e, principalmente, da capacidade de defender essas demandas diante dos governos estadual e federal.

A questão estadual e a questão federal. A presença de um deputado estadual ligado a Três Lagoas permite que a cidade tenha novamente uma interlocução direta dentro da Assembleia Legislativa. Isso não significa que um parlamentar possa resolver sozinho os problemas do município. Significa apenas que existe alguém eleito pela população para exercer essa representação.

A situação em Brasília é diferente. Sem um deputado federal diretamente ligado ao município, Três Lagoas continuará precisando recorrer a parlamentares de outras regiões para buscar recursos, acompanhar projetos, defender investimentos e abrir portas nos ministérios e órgãos federais. Esses parlamentares podem ajudar, e certamente alguns ajudarão.

Mas existe uma diferença entre contar com apoios eventuais e ter alguém cuja atuação política esteja permanentemente vinculada à cidade e à região. É essa diferença que merece reflexão. Quem estará lá por Três Lagoas? Quando um projeto fica parado em Brasília, quem irá atrás? Quando um recurso não é liberado, quem irá cobrar? Quando surgir uma demanda urgente da cidade ou da Costa Leste, quem estará disposto a procurar um ministro, um secretário ou um dirigente federal? Mais do que isso: quem amanhece e anoitece defendendo Três Lagoas e a região? Essa é uma das questões que tornam atual o debate sobre o voto distrital. Não se trata de desmerecer deputados de outras regiões. Trata-se de discutir se uma cidade com a importância econômica de Três Lagoas não deveria possuir uma representação política mais diretamente vinculada ao seu território.

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A Costa Leste precisa pensar além de Três Lagoas. Talvez seja hora de compreender que a questão não é apenas de Três Lagoas. A Costa Leste possui força industrial, logística e econômica suficiente para pensar politicamente como região. A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Quem é o candidato de Três Lagoas?” Mas: “Como a Costa Leste pode construir uma representação política capaz de defender permanentemente os interesses da região?” A eleição de um deputado estadual recoloca Três Lagoas no espaço político da Assembleia Legislativa.

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