O Nobel de Química de 2026 reuniu dois pesquisadores de gerações e países diferentes, ligados pelo mesmo problema científico, decifranco um enigma desde o século 19 . O francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai foram premiados nesta quarta-feira (7) pela Academia Real das Ciências da Suécia e dividem igualmente os 12 milhões de coroas suecas -- cerca de R$ 6 milhões.
Kagan e Soai receberam o prêmio por pesquisas sobre reações químicas envolvendo moléculas. A descoberta se transformou em uma ferramenta essencial na fabricação de remédios.
Kagan nasceu em 1930, em Boulogne-Billancourt, na região de Paris. Fez doutorado no Collège de France, concluído em 1960, e é professor emérito da antiga Universidade Paris-Sud, hoje integrada à Universidade Paris-Saclay.
Em 1986, descobriu o efeito não linear, um modo de conduzir reações químicas que gera excesso de uma das versões espelhadas de uma molécula maior do que se julgava possível. A academia sueca considera esse o primeiro passo decisivo para explicar como a homoquiralidade pode surgir.
Soai nasceu em 1950, em Hiroshima, no Japão. Fez doutorado na Universidade de Tóquio, concluído em 1979, e é professor emérito da Universidade de Ciências de Tóquio.
Em 1995, publicou o desenho da primeira reação química com potencial para ser homoquiral, baseada na autocatálise, em que o produto acelera a própria formação. Em 2003, conseguiu uma reação que produzia apenas uma das imagens espelhadas, feito até então restrito aos seres vivos.
O trabalho dos dois se encaixa. Kagan mostrou que a pureza de uma reação pode crescer além do esperado. Soai levou essa amplificação ao limite, com uma molécula que fabrica cópias de si mesma até eliminar a versão concorrente.
A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).
O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos "àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade".
Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, o júri do Nobel de Medicina, essa regra não é mais tão levada à risca.
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