Tratar os sintomas que comprometem a atividade sexual (dor, incontinência, depressão). Revisar medicamentos. Promover adaptações, como sugerir posições mais cômodas, ou analgesia antes do sexo para quem sofre, por exemplo, com dores de artrose. Discutir a ampliação do repertório sexual, investindo em carícias, masturbação, não se limitando ao ato com penetração. Tratar a disfunção erétil. Aliviar o quadro de síndrome geniturinária com o uso de lubrificantes, hidratantes intravaginais e estrogênio vaginal. A condição piora com o tempo se não houver tratamento, afetando também a mulher que não é sexualmente ativa. Encaminhar para outros especialistas (fisioterapeutas, urologistas etc.).
Thelma Flosi, infectologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, reforçou a necessidade de acolhimento e franqueza com os pacientes para protegê-los do risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST). “É preciso perguntar sobre os hábitos sexuais com naturalidade e apresentar as formas de prevenção. Os dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de detecção de Aids entre 2014 e 2024 caiu em todas as faixas etárias, com exceção daquela acima de 60 anos”, enfatizou. Por fim, citou diferentes abordagens de prevenção, além de vacinas como as contra hepatite A e B:
DoxiPEP: profilaxia pós-exposição para ISTs bacterianas, principalmente sífilis e clamídia – disponível no SUS, a doxiciclina é ingerida por via oral em dose única, idealmente nas primeiras 24 horas depois da exposição e em até 72 horas. PEP: a profilaxia pós-exposição ao HIV não é indicada somente para casos de violência sexual, pode ser utilizada mesmo quando houve consentimento. Deve começar em até duas horas depois da relação, mas o prazo máximo é de 72 horas, com duração de 28 dias. PrEP: a profilaxia pré-exposição ao HIV pode ser diária ou sob demanda. Fora do Sistema Único de Saúde, há também a injetável, a ser ministrada em intervalos de seis em seis meses. O acompanhamento médico é indispensável para monitorar efeitos colaterais nos rins e na densidade óssea.
E como falar de sexo sem infantilizar a pessoa mais velha ou descambar para o discurso moralista? Esse foi o papel da psicóloga Ana Cristina Nunes Barbosa, especialista em sexualidade humana. “Temos que romper com o tabu e a infantilização, que torna idosos assexuados, e debater o tema de forma madura e natural, com foco na autonomia, na saúde e no prazer. O constrangimento em esclarecer as queixas se dá, muitas vezes por falta de informação e formação adequada para seu uso na prática”, discorreu.
Barbosa argumentou que formular perguntas como “você se masturba?” vai, quase sempre, levar a uma resposta negativa. Em vez desse tipo de interpelação, citou a anamnese utilizada pelo casal Masters e Johnson – o ginecologista William Masters e sua assistente (e depois terapeuta sexual) Virginia Johnson – que revolucionou o que se sabia sobre sexualidade humana no século XX. “O caminho é validar o comportamento com outro tipo de aproximação, do tipo: qual foi a última vez que você se masturbou e teve alguma complicação? Qual foi a última vez que praticou sexo de uma forma diferente ou introduziu algo novo (por exemplo, acessórios sexuais) e isso não lhe trouxe o prazer esperado?”. Que falemos cada vez mais do sexo maduro!
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