A vereadora Maíra do MST e a deputada estadual Marina do MST enviaram ofícios às polícias civil e federal e ao Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (08/10) cobrando a abertura de investigação para apurar denúncias de ataques a bombas e incêndios criminosos em universidades públicas do estado do Rio de Janeiro e manifestações de militantes petistas.
No grupo “ Juntos com Bolsonaro” , um dos participantes, identificado como Nikolas Mattos, comunica: “Tô conversando com o Flávio e vamos tacar fogo na UFF” . Pelo contexto da troca de mensagens não é possível afirmar com exatidão se “Flávio” é o próprio candidato à presidente ou se faz referência a uma pessoa homônima.
Logo depois, Mattos pergunta se tem algum estudante de universidade federal no grupo e recebe de outro homem chamado João Vitor Pereira a seguinte resposta: “ Tem ninguém vagabundo aqui não”.
Em outro trecho da conversa, o participante Renan abre uma lista de adesões para quem desejar incluir o nome com objetivo de recrutar pessoas para “incendiar a UFF de madrugada”. Prontamente, Nikolas Mattos e João Vitor Pereira aderem à proposta e inserem os nomes na lista. Em seguida, Renan é advertido por Rafael Andreiuolo: “ Calma aí, irmão, menos, para com isso” .
Já no grupo “Direita Brasil (Niterói)”, os administradores falam em levar soco inglês, canivetes e bombas para atacar universitários e militantes da esquerda. Um dos homens, identificado como Alexandre Tavares, sugere “passar por cima deles” com um carro RAM 1500, avaliado em R$500 mil no Brasil.
“O bolsonarismo odeia a ciência, as universidades e a educação pública porque elas estimulam o pensamento crítico e desmontam o mito. Essas denúncias são gravíssimas e precisam ser investigadas com urgência. Não podemos esquecer que o governo Bolsonaro passou anos atacando as universidades públicas. Em 2022, chegou a bloquear R$3,2 bilhões do orçamento do MEC. Cortar recursos da educação significa comprometer pesquisas, bolsas e oportunidades de futuro para a juventude brasileira. Não há espaço na democracia para ameaças e intimidação contra quem estuda, ensina ou pesquisa ”, ressaltou a vereadora Maíra do MST.
“As ameaças à UFF e à UENF parecem fazer parte de um ataque coordenado de grupos de extrema direita em várias regiões do país com objetivo de hostilizar e intimidar estudantes. Os bolsonaristas querem impor o medo por meio da violência para desencorajar os jovens que estão se levantando em apoio ao presidente Lula. Isso é muito grave porque ceifa a liberdade de expressão e busca interferir no resultado do segundo turno das eleições. Exigimos investigação imediata e queremos saber quem está por trás dessa articulação absurda” , cobrou a deputada estadual Marina do MST, reeleita com mais de 66 mil votos.
Na noite desta quarta-feira (7), um incêndio de grandes proporções atingiu um dos departamentos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) , no Recife, dedicado à inovação e à pesquisa. O prejuízo estimado pela reitoria é de R$100 milhões e 20 anos de amostras destruídas. Horas antes do prédio pegar fogo, estudantes relataram ameaças de explodir setores da universidade, com menções a Flávio Bolsonaro.
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