O incêndio por vazamento de gás aconteceu em 2 de fevereiro de 1965, no bairro Cordeiros, em Itajaí
A atitude de um marinheiro ajudou a evitar uma tragédia ainda maior durante um incêndio que colocou Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, em pânico há mais de 60 anos. Odílio Garcia entrou em um navio tomado pelas chamas para fechar as válvulas e interromper o vazamento de gás. Gravemente ferido, ele morreu no dia seguinte, aos 35 anos.
O incêndio aconteceu em 2 de fevereiro de 1965, no bairro Cordeiros. O navio Petrobras Norte, da Frota Nacional de Petroleiros, da Concessionária Petrobras, fazia a descarga de cerca de 400 toneladas de gás para as empresas Liquigás e Élio Gás, no Terminal Marítimo da Élio Gás.
A operação estava quase terminando quando o acidente aconteceu. Segundo relatos reunidos pelo jornalista Ivan Rupp Bittencourt e pelo historiador Magru Floriano, o navio teria se desprendido parcialmente do cais, fazendo com que os mangotes usados para a transferência do gás se rompessem.
O vazamento provocou uma grande nuvem de gás sobre o navio. Pouco depois, uma faísca provocou a explosão e deu início ao incêndio. O risco de uma nova explosão fez com que moradores deixassem suas casas. O bairro Cordeiros foi quase completamente evacuado, assim como parte dos bairros São João e Barra do Rio.
Moradores buscaram locais mais altos, como o Morro da Cruz e o Morro Cortado, e algumas pessoas chegaram a seguir para cidades vizinhas. Na época, emissoras de rádio acompanhavam a situação e relatavam o medo da população diante do incêndio.
A situação começou a ser controlada perto da meia-noite, após uma força-tarefa de bombeiros de toda a região. Os práticos conseguiram desprender o Petrobras Norte do cais e rebocar o navio para o outro lado do rio, onde ficaria mais afastado da área de risco.
Com o incêndio diminuindo e o navio afastado, os moradores começaram a retornar para casa. Foi após esse cenário que os moradores souberam da decisão de Odílio. Em vez de fugir do local, ele voltou para o navio para tentar interromper o vazamento.
“Ele estava no trapiche, ele não estava dentro do navio, então ele poderia ter fugido, mas não, ele foi para dentro do navio abrir as válvulas de segurança”, contou Magru Floriano.
Conforme os relatos sobre o acidente, o gás teria sido liberado durante cerca de dois minutos antes da explosão. Odílio conseguiu chegar às válvulas, mas acabou gravemente queimado. Ele caiu na margem do rio e foi levado pela correnteza. Populares conseguiram retirá-lo da água e o levaram para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, junto com outro tripulante ferido.
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