De uma das iniciativas idealizadas por ela surgiu o projeto que emprega mais de 60 mulheres guariteiras, responsáveis pelo controle de acesso ao parque. Para Diana Maria de Assis, o trabalho representa uma oportunidade única.
"Para mim, é um privilégio muito grande trabalhar em um parque como este, em uma unidade tão importante. Também sou muito grata à doutora Niède por ter acolhido as mulheres", comentou.
Para muitos trabalhadores da Serra da Capivara, Niède Guidon se tornou uma verdadeira nordestina.
Segundo a arqueóloga e chefe do parque, Marian Rodrigues, os funcionários costumavam chamá-la de "capivarense", em referência ao vínculo construído com a região ao longo dos anos.
"A doutora Niède era uma legítima catingueira, como costumamos dizer. Era uma capivarense, porque mudou completamente a vida dela, veio morar aqui, trabalhou incansavelmente durante 50 anos e criou raízes nesta terra", afirmou.
A trajetória da pesquisadora também inspirou manifestações culturais. Sua história virou tema de músicas, apresentações artísticas e de um livro que narra sua vida por meio de ilustrações produzidas por crianças.
Para Valeska Zanello, uma das autoras do livro "Niède Guidon: a arqueóloga da humanidade", a trajetória da pesquisadora é um exemplo para meninas e mulheres.
"O grande amor e a dedicação dela foram voltados para a ciência. Devemos muito a essa mulher. Conhecer biografias como a de Niède Guidon é importante para mostrar às meninas que existem muitas formas de se realizar e ser feliz", afirmou.
A arqueóloga Niède Guidon morreu aos 92 anos, em 4 de junho de 2025, em São Raimundo Nonato, no Sul do Piauí.
Reconhecida internacionalmente pelas pesquisas desenvolvidas no Parque Nacional da Serra da Capivara, ela dedicou décadas à preservação do patrimônio arqueológico brasileiro e ajudou a transformar a região em uma referência mundial para estudos sobre a ocupação humana nas Américas.
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