O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar, ainda nesta sexta-feira 25, uma medida provisória proibindo as apostas online. A medida é mais uma tentativa de Lula de agradar o eleitorado às vésperas do primeiro turno da eleição em que disputa o seu quarto mandato, tendo como principal oponente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com as pesquisas de intenção de voto mostrando um empate técnico entre os dois no segundo turno, Lula elegeu as bets como bode expiatório do endividamento recorde das famílias. Para os clubes de futebol, no entanto, a medida cairá como uma bomba.
Desde que foram legalizadas em 2018, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, e, sobretudo, desde que foram regulamentadas em 2023 – no primeiro ano do governo Lula -, os sites de aposta se tornaram parceiros estratégicos das equipes brasileiras. Segundo um levantamento da Sports Value, consultoria especializada em marketing esportivo, apenas no ano passado, os principais times receberam quase 1 bilhão de reais das bets.
Em valores absolutos, o Flamengo liderou com os 269 milhões de reais pagos pela Betano, seguido pelo Corinthians com 150 milhões de reais repassados pela Esportes da Sorte. É verdade que os patrocínios não são as únicas fontes de receita dos clubes, que também arrecadam recursos com bilheteria, direito de transmissão dos jogos e licenciamentos, entre outras iniciativas, mas para algumas equipes, as bets assumiram uma fatia relevante das receitas com marketing.
É o caso do São Paulo, cujo patrocínio da Superbet representou 73% do total obtido com marketing no ano passado. O Atlético mineiro vem em segundo lugar: 69% de sua receita de marketing provém do contrato com a H2bet. O impacto da proibição das bets sobre as finanças dos clubes levou à publicação de um manifesto assinado por clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e pelas federações de futebol dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
No documento, as entidades e as equipes afirmam que é “importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo”.
Para os clubes, o caminho mais correto é aprimorar a regulamentação e aumentar a fiscalização, combatendo os sites ilegais que estimulam os apostadores a jogar sem limites e, com isso, incentivam o endividamento da população. “A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas”, afirma o manifesto.
Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).
Matéria completa e créditos no veículo de origem.
Ler notícia completa na fonte →