Naquele momento, as duas mudaram de escola. A nova unidade de ensino exigia uniforme completo, com calçado fechado, mas o pai só tinha condições de comprar um único par de sapatos. Como estudavam em turnos diferentes, as duas irmãs precisavam revezar o mesmo calçado para frequentar as aulas .
Com o tempo, as duas passaram a se integrar à rotina da cidade, fazer amizades na escola e buscar novas oportunidades. Depois, com a ajuda de conhecidos, Rosilene e a irmã deixaram a Bahia e se mudaram para Colatina , no Espírito Santo.
Na nova cidade, descobriu que tinha perdido o prazo da matrícula regular e precisou concluir o 3º ano do ensino médio por meio de um supletivo. Como ainda não trabalhava, passava o dia todo na escola e concluiu a etapa em apenas três meses.
Ao longo desse período, Rosilene precisava percorrer um percurso de 7km entre a casa e escola porque não tinha dinheiro para pagar as passagens de ônibus.
Perto de concluir o ensino médio, conseguiu um emprego de doméstica na residência de uma família, onde também passou a morar. Algum tempo depois, recebeu um ultimato do patroa: escolher entre o trabalho e os estudos. Sem hesitar, pediu demissão para terminar a formação escolar .
Depois disso, já tendo terminado a escola, Rosilene queria ingressar no curso de direito, e passou a se preparar. Naquele momento, também arrumou outro trabalho como empregada doméstica. Porém, dessa vez, contou com o apoio dos patrões que ajudavam como podiam.
Rosilene prestou alguns vestibulares, como o da Universidade Federal de Viçosa (UFV), mas constatou que, com a bagagem educacional que tinha, não conseguiria entrar numa universidade pública. Ao mesmo tempo, o salário de empregada doméstica não cobria as mensalidades de uma faculdade privada. Ela decidiu, então, procurar empregos com melhor remuneração para conseguir bancar o curso de direito.
''Naquele momento, eu pensei: bom, eu acho que eu preciso dar um passo atrás, eu preciso ter uma profissão para eu conseguir um trabalho que vai me dar a condição de pagar minha faculdade, porque já era o final de 2004, eu tinha terminado o ensino médio e não conseguia nada. Falei: 'eu preciso ter uma profissão'".
Ao ler o jornal diário, viu que o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), atual Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), estava com inscrições abertas para o vestibular, com três cursos com vagas abertas. Ela ligou para a instituição, a fim de saber qual dos cursos tinha a melhor inserção no mercado de trabalho — e descobriu que, à época, era Edificações.
Para se dar bem no curso, utilizou metade do salário para pagar aulas particulares com um professor que aceitou reduzir o valor cobrado. Assim, ela foi aprovada no processo seletivo e ingressou no curso técnico, que tinha duração de dois anos.
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