Foi em Curitiba que Juarez Machado vendeu o primeiro quadro, fez a primeira exposição individual e começou oficialmente a carreira artística.
O artista morreu nesta terça-feira (6), em Vassouras , no interior do Rio de Janeiro. Nascido em Joinville (SC), ao longo de mais de 60 anos de carreira, foi pintor, escultor, desenhista, ilustrador e cartunista . O multiartista teve reconhecimento internacional, com exposições espalhadas pelo mundo.
Foi em uma delas, em Paris, que o cineasta Jean-Pierre Jeunet conheceu as telas de Juarez Machado. Nelas, encontrou as cores que buscava para usar no filme que estava produzindo, no início dos anos 2000: "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain".
Jeunet fotografou quadros, livros e outros trabalhos de Juarez para mostrar à equipe de filmagem. Com isso, o artista brasileiro se tornou inspiração para a paleta de cores do filme, que veio a se tornar um clássico. Dois quadros de Juarez Machado aparecem na obra, posicionados ao lado da cama no quarto da protagonista.
O jornalista José Carlos Fernandes, que entrevistou Juarez mais de uma vez, conta que Juarez repetia que viveu na França por muito tempo sem que se sentisse considerado um artista. Por isso, o reconhecimento que veio com o filme o emocionou.
Ser inspiração estética para o longa representou uma virada nessa percepção, porque, como destaca Fernandes, "é comum que, na pesquisa para paleta de filmes, para enquadramentos, eles busquem artistas clássicos, que têm uma maturidade já na paleta de cores".
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Primeira exposição individual de Juarez Machado foi em Curitiba — Foto: Divulgação
Foi nos anos 60 que a Galeria Cocaco, em Curitiba, acolheu a primeira exposição de Juarez. O espaço foi aberto em 1957 e se tornou "point" para intelectuais, artistas e jovens da época, que traziam inquietações ligadas ao modernismo, conforme José Carlos Fernandes, autor do livro "Um lugar chamado Cocaco".
Juarez começou a visitar a Cocaco junto com outros colegas artistas e, com o tempo, se tornou frequentador assíduo. Eugenia Petriu, proprietária da galeria, lembra que a presença do artista na galeria não atraía apenas os interessados em arte, mas também as jovens da cidade.
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