Após ser escolhido para sediar o Comperj, da Petrobras, município recebeu uma série de investimentos. No entanto, depois de a estatal anunciar mudanças no projeto, negócios não vingaram.
Um empreendimento de US$ 8,4 bilhões, cujas riquezas seriam multiplicadas e trariam desenvolvimento e prosperidade. O lançamento da pedra fundamental do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em Itaboraí, ocorreu em 14 de junho de 2006, e o tom era de festa.
Mas nada deu certo. Desde a inauguração, prevista para 2011, já são quatro anos, período em que o otimismo que havia contagiado a todos deu lugar à preocupação, diante da crise instaurada pelas denúncias de corrupção na Petrobras. Com o caixa esvaziado, a estatal anunciou na semana passada que a conclusão do Comperj não estava mais nos seus planos. O grandioso complexo seria agora apenas uma unidade processadora de gás. Nas ruas de Itaboraí, "vende-se" e "aluga-se" são as palavras mais lidas.
Entre os vários empreendimentos construídos no município, chama a atenção um complexo empresarial concluído em outubro do ano passado, mas ainda não inaugurado. O empreendimento conta com um hotel com 108 quartos; um shopping com 57 lojas disponíveis e um heliponto. Das 156 salas comercias, apenas duas estão ocupadas.
Outra obra de grande porte que marca as altas expectativas criadas em torno do salto econômico previsto para a cidade é o Itaboraí Plaza Shopping, inaugurado em fevereiro. São 160 lojas disponíveis e a administração afirma que 40 delas ainda não foram alugadas. Com um movimento bem menor que o previsto, o shopping oferece estacionamento gratuito para atrair o público. Mas na hora do almoço, a praça de alimentação fica vazia: em cerca de 150 lugares, havia apenas dez pessoas nesta terça-feira (07/07). Um vendedor disse que, mesmo nos fins de semana, são poucos clientes.
Para o economista Mauro Osório, coordenador do Observatório de Estudos sobre o Rio de Janeiro da UFRJ, as previsões de crescimento para Itaboraí foram exageradas, já que a estimativa feita pelo BNDES de geração de 200 mil empregos ligados ao Comperj valia para todo o país, e não apenas para o município fluminense. Segundo ele, uma ilusão foi vendida e quem decidiu investir na região errou. “Foi uma irresponsabilidade coletiva, da Petrobras, do governo e da prefeitura. Quem investiu não tomou os devidos cuidados”, analisa o especialista.
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