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Fim do futebol? Como a possível proibição das bets no Brasil impacta nas finanças dos clubes

Terrahá 23d19 de set. de 2026👁 3 leituras

Palmeiras foi um dos oito clubes que assinaram o manifesto pelas manutenção das bets regulamentadas Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon O manifesto em defesa das bets regulamentadas assinado por oito clubes da Série A do Brasileirão e duas federações estaduais inflamou um debate que, frequentemente, volta à tona no país: futebol do Brasil é totalmente dependente das casas de aposta? De acordo com o texto, escrito em tom apelativo, sim. Entretanto, o debate vai muito além da relação direta criada entre os times e seus patrocinadores e abrange discussões sobre os impactos sociais que esse mercado impõem à sociedade. 

Uma Medida Provisória (MP) que pode ser publicada pelo Governo Federal tem como principal objetivo proibir os jogos de cassino online no país. No manifesto assinado pelos clubes, o texto afirma que, diante das regulamentações feitas pelo Governo Federal desde 2023, não há porque não seguir com o mercado regulamentado em andamento e que a proibição dos cassinos não só dará força às bets ilegais como também “acabará com o futebol brasileiro”, segundo a própria carta publicada na quinta-feira, 17.

A possível aprovação da MP, apesar de não citar a proibição de apostas esportivas, pode, sim, ser responsável por alterar a estrutura financeira das bets no Brasil. Isso porque quase a totalidade do faturamento dessas empresas não vem do dinheiro perdido nas partidas de futebol, e sim de jogos de cassino inclusos em cada plataforma. 

O mercado de apostas ganhou seu espaço aos poucos. O ano de 2023 foi fundamental para aumentar o ritmo de crescimento, com a aprovação da Lei de regulamentação nº 14.790/2023. Esse fato contribuiu positivamente para as empresas, que passaram a contar com uma segurança jurídica junto ao Ministério da Fazenda, além de facilitar a comunicação e expandir a atuação do marketing dessas marcas.

A autorização também contou com uma contrapartida financeira relevante. Cada bet desembolsou R$ 30 milhões em outorga ao Governo Federal para garantir a concessão de funcionamento. A regulamentação gerou altos valores em impostos pagos pelas empresas, que chegaram a mais de R$ 9 bilhões só em 2025, de acordo com a Receita Federal.

Três após a regulamentação, observa-se que as bets atingiram um patamar de relevância no país, usando as apostas esportivas como uma porta de entrada. Essa foi a forma encontrada que passa credibilidade e está conectada com o dia a dia da população. A conexão se dá por meio dos patrocínios nos clubes e também com a compra de naming rights de competições, como acontece no Brasileirão e Copa do Brasil, e até de estádios, a exemplo da Arena Fonte Nova, em Salvador. Na América do Sul, a Conmebol fechou contratos de patrocínio com pelo menos três marcas para o triênio 2023 a 2026.

Ainda que o futebol seja uma parte mínima dos faturamentos bilionários das bets, já é o suficiente para pesar no bolso dos clubes. Em 2025, as bets representaram 35% das receitas comerciais das equipes da Série A do Brasileirão, pouco mais de R$ 1 bilhão, de acordo com o Relatório Convocados.

O documento foi produzido pelo economista Cesar Grafietti em parceria com a companhia de investimentos Galápagos Capital, ainda destaca que os faturamentos dos clubes da elite relacionados à bets subiu 67% entre 2024 e 2025. Mesmo diante das cifras, o especialista é cauteloso na análise e afirma que o futebol brasileiro não é totalmente dependente desse mercado.

“Não, o futebol não é dependente dessas receitas, mas elas são importantes no bolo. Vamos lembrar que além dos patrocínios diretos, as bets aparecem nas placas de campo e nas transmissões, o que contribuiu para conseguirmos receitas recordes com direitos de transmissão”, disse em entrevista ao Terra.

Grafietti pondera que o futebol não vai, de fato, acabar, mas entende que a aprovação da MP precisa vir acompanhada de um plano de ajuste. “O futebol não vai acabar, mas algum ajuste de custos terá que ser feito. Muitos clubes já perderam patrocínios no último ano, e sofrem por isso. Mas tinham alternativas de substituição. O problema do movimento atual é o risco de corte abrupto, sem organização, nem plano de ajuste”, completa.

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