A investigação apura crimes como lavagem de dinheiro , corrupção e organização criminosa . A Coaph afirma que a operação também envolve outras empresas do setor e que é necessário "preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde".
Para apagar os rastros do dinheiro público e pagar propinas a agentes públicos e políticos, o grupo adotou a movimentação massiva de recursos em espécie. Segundo a decisão judicial, a Coaph mantinha em sua sede um setor interno voltado exclusivamente para gerir esse dinheiro vivo, que funcionava como um bunker, equipado inclusive com máquinas de contar cédulas.
As investigações apontam o funcionário Fernando Antônio Rosa Cavalcante como o responsável direto por gerenciar o local e receber as remessas de saques. O esquema foi flagrado pela Polícia Federal em 2024 quando o contador e operador financeiro César Agamenon Carvalho Barbosa foi interceptado com R$ 345 mil sacados da conta de uma empresa fictícia, a caminho da sede da cooperativa. Ao todo, R$ 437,9 mil em espécie foram apreendidos com ele na ocasião.
Abordado pelos policiais, o contador alegou que o dinheiro seria usado para pagar médicos cooperados em espécie. Ele também revelou ter sacado outros R$ 400 mil na véspera, com a mesma justificativa.
A suspeita sobre a empresa utilizada na operação, a New Consultoria, aumentou quando os investigadores descobriram que o suposto sócio era um “laranja” que estava preso no sistema penitenciário do Ceará .
A análise dos celulares e do notebook apreendidos com César Agamenon durante a ação policial foi decisiva para aprofundar as investigações, que identificaram uma contabilidade paralela, mais de 80 empresas fictícias e indícios de repasses a figuras públicas.
A organização funcionava como uma "fábrica" de CNPJs: criava empresas, usava as estruturas para emitir notas fiscais fraudulentas e, em seguida, as descartava. Levantamentos indicam que a gestão da Coaph chegou a pedir a baixa formal de mais de 70 empresas usadas no esquema.
Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a Coaph recebeu cerca de R$ 1,8 bilhão em contratos com o Governo do Ceará e prefeituras (incluindo Fortaleza ), dos quais aproximadamente R$ 250 milhões vieram de verbas federais da saúde.
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