Delmany quando criança (em pé) e hoje em dia, aos 40 anos — Foto: Arquivo pessoal
Mas crianças que, como Delmany, hoje buscam uma vida melhor em outro país com as famílias podem não ter a mesma oportunidade. A Organização das Nações Unidas ( ONU ) enfrenta uma grave crise financeira e vem promovendo cortes de pessoal e mudanças na estrutura para tentar contornar a situação.
Em um ano, as Nações Unidas cortaram mais de 10 mil postos de trabalho e viram o orçamento geral sofrer uma redução importante. Isso colocou programas e ações humanitárias em risco. Enquanto isso, a entidade sofre pressões dos Estados Unidos , que devem bilhões de reais em contribuições obrigatórias.
Os cortes de pessoal atingiram 21 das 41 agências e organismos da ONU em 2025. Entre os mais afetados estão o ACNUR, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Os dados estão em um relatório do Conselho de Chefes Executivos da ONU, que reúne informações sobre o quadro de funcionários das diferentes entidades da organização. Em 2024, o sistema das Nações Unidas tinha 130.948 postos de trabalho. No ano seguinte, o número caiu para 120.176, uma redução de 8%. Para 2026, a organização aprovou a extinção de outros 2,9 mil cargos em diferentes setores. A ONU também instituiu um programa de demissão voluntária e de aposentadorias antecipadas.
No fim do ano passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres , afirmou que a situação financeira da organização era a mais frágil em anos. De forma geral, as agências que integram todo o sistema das Nações Unidas vêm sofrendo com a queda de receita.
Em 2025, por exemplo, a manutenção de toda a estrutura da ONU custou US$ 64,3 bilhões (R$ 322 bilhões), uma queda de 2% em relação a 2024. Dois terços desse valor foram destinados à assistência humanitária e a ações de desenvolvimento nos países.
O cenário para 2026 é ainda mais desafiador, principalmente para o setor humanitário.
Stéphane Dujarric, porta-voz de Guterres, disse ao g1 que os Estados Unidos reduziram drasticamente as contribuições voluntárias para a assistência humanitária. O país era responsável por cerca de 45% do orçamento da área. Além disso, países europeus também fizeram cortes.
"O resultado foi dramático. As pessoas nos campos de refugiados passaram a receber menos alimentos e vacinas e tiveram menos acesso à educação. Programas inteiros foram encerrados. Com isso, as pessoas que dependiam dessa ajuda não receberam o que precisavam", afirmou.
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