Essas alternativas mostram que Brasília não foi uma solução única e inevitável, mas o resultado de uma escolha entre diferentes interpretações do urbanismo moderno.
A escolha final do Concurso foi pela proposta de Lúcio Costa que, além de técnica, tinha um caráter conceitual ao estabelecer qual a versão do urbanismo moderno seria aplicada de forma integral.
A ideia foi apresentada em forma de um memorial descritivo acompanhado de um esquema simples, baseado em dois eixos estruturadores, que passam a ordenar toda a vida urbana em uma lógica geométrica e funcional, na qual o traçado antecede a experiência cotidiana. "Um eixo vertical e um eixo horizontal arqueado, que lembrava um pouco as asas do avião, num conjunto totalmente modernista", pontua José.
A partir dessa estrutura, a cidade é concebida como um sistema racional fechado. "Brasília nasce como um desenho completo, onde cada função urbana é previamente definida", sintetiza Luiz.
As funções urbanas deixam de se sobrepor no espaço e passam a ser distribuídas de forma separada e hierarquizada, compondo um modelo em que cada atividade possui localização previamente definida. "As funções de circular, habitar, trabalhar e recrear estavam totalmente organizadas dentro do projeto", complementa José.
Essa organização não se limita a uma solução. A proposição de Lúcio Costa expressava uma concepção ampla de cidade baseada na previsibilidade, na ordem espacial e na capacidade de controle do território por meio do planejamento integral.
"Brasília rompe com a tradicional urbanística de caráter português, marcada pela ausência dessa racionalidade existente no urbanismo moderno", destaca José. Ao substituir o crescimento orgânico por um modelo de projeto total, o Plano Piloto redefine não apenas a forma da cidade, mas também a própria relação entre planejamento, Estado e produção urbanística.
Ainda que bastante difundida, a ideia de que este Plano Piloto de Brasília tenha formato de avião, reforçada pelo desenho urbano e pelos nomes "Asa Norte" e "Asa Sul", não corresponde à intenção original do projeto . O termo "Plano Piloto" vem do modernismo e foi popularizado por Le Corbusier (1887-1965), arquiteto francês-suíço, como sinônimo de "plano mestre", embora ele não tenha projetado o DF.
Lúcio Costa, ainda na época, chegou a afirmar que pensava em uma cruz, e que o desenho final resultou principalmente de adaptações ao terreno, rejeitando a comparação com avião e sugerindo até a ideia de uma "borboleta". Já o uso de "asa" nos bairros é apenas uma variação de "ala", comum na arquitetura, sem relação direta com a metáfora aeronáutica.
A dimensão arquitetônica de Brasília se consolida de forma decisiva na obra de Oscar Niemeyer, responsável pelos principais edifícios públicos da capital, como o Congresso Nacional, os Ministérios, o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e a Catedral.
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