Ao chegar em Calcutá, os jogadores da seleção se surpreenderam com a recepção dos indianos: pedidos de autógrafo e de fotos, muita euforia e até declarações de amor. Miguel Damasceno não se espanta mais com estas cenas. Em seu segundo ano na Indian Super League (ISL, a liga local de futebol), o meia já se acostumou com o lado emotivo dos torcedores.
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Seja no apoio ou na crítica, as emoções são à flor da pele na Índia. Os torcedores que pedem fotos e até choram perto de Miguel nos treinos também deixam mensagens nas redes sociais dizendo que ele deveria voltar para o Brasil após uma derrota.
Apesar do pouco tempo na Índia, o meia já se adaptou ao futebol local. Logo na primeira temporada, foi campeão da Super League e eleito craque do campeonato pelo East Bengal, de Calcutá. Em seguida, protagonizou um momento de alvoroço ao trocar o clube pelo seu maior rival, o Mohun Bagan.
— Tive muitos problemas com isso, fui muito xingado nas redes sociais. Mas era um clube em que eu já tinha vontade de jogar. É o maior da Índia — admite o brasileiro de 26 anos, também conhecido no país pelo apelido Tublu (que, em português, significa algo como menino querido, um xodó). — Mas, quando eles (torcedores do East Bengal) me veem pessoalmente, é diferente. Tiram foto, agradecem pelo título e até choram.
Os dois clubes fazem o principal clássico de Calcutá no Salt Lake Stadium, onde hoje a seleção enfrentará a Índia. Embora o críquete seja o esporte mais popular do país, o dérbi mostra a força do futebol: o confronto costuma reunir cerca de 60 mil pessoas (a capacidade máxima do estádio é de 85 mil).
— O futebol não é tão técnico, mas eles não param de correr. A bola não para. É muito difícil ter um time que fica mais na defesa. É muito difícil um jogo aqui terminar 0 a 0. É ataque e contra-ataque o tempo inteiro — conta. — É “proibido” tocar para trás e até para o lado. Os torcedores querem que você jogue sempre para frente.
Apesar da paixão pelos pentacampeões do mundo, a liga local não tem o histórico de receber muitos brasileiros. Na edição atual, são apenas cinco.
Revelado pelo Goiás, Miguel trocou o Esmeraldino em 2022 pelo Bashundara Kings, de Bangladesh. Três temporadas depois, quando seu treinador se transferiu para o East Bengal, aceitou o convite para ir junto. Não se arrependeu.
— Quando chego ao Brasil, sempre me perguntam sobre a Índia. E eu falo que não é aquilo que a gente vê nas redes sociais. Calcutá é uma cidade organizada, o clube tem uma estrutura muito boa e o estádio é bom — elogia Miguel, que vive sozinho no país, enquanto a mulher e os dois filhos seguem no Brasil.
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