O agricultor Josinaldo Dantas relatou a perda de 76 mil pés de hortaliças em Fernando de Noronha. Ele aponta a poeira de uma obra da Neoenergia como causa.
O IPA investiga as causas dos danos na plantação de folhagens. A Neoenergia informou que enviará equipe técnica e adota medidas para reduzir a dispersão de poeira.
O agricultor Josinaldo Dantas, um dos produtores de alimentos de Fernando de Noronha , afirma ter perdido milhares de pés de alface, rúcula e outras folhagens por causa da poeira provocada pelas obras do projeto Noronha Verde, da Neoenergia .
A iniciativa prevê a instalação de 30 mil painéis solares na ilha , com investimento de R$ 350 milhões. O objetivo é substituir o uso de óleo diesel na geração de energia por fontes renováveis. Segundo o agricultor, a retirada da vegetação e a movimentação de terra durante as obras prejudicaram a produção de hortaliças ( veja vídeo acima ).
“São 38 mil pés de folhagens, entre rúcula e alface, e já plantei três vezes sem sucesso. Só nos primeiros plantios foram 76 mil pés perdidos. Percebi que as folhas estão com poeira. Isso aconteceu depois do início da obra da Neoenergia, que é de grande porte”, afirmou o agricultor.
Josinaldo mostra alface que perdeu por conta da poeira — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo
Josinaldo afirmou que, em mais de 30 anos de trabalho com a produção de alimentos em Fernando de Noronha, nunca havia enfrentado uma perda dessa proporção. Ele também destacou as características do solo da ilha, de origem vulcânica.
“É um solo de origem vulcânica, é diferente. A areia é fina; quando o vento bate, leva tudo”, declarou.
O engenheiro agrônomo e doutor em Ciências do Solo Domício Cordeiro, ex-administrador de Fernando de Noronha, explicou como as características do solo da ilha podem contribuir para a formação de poeira.
“O solo de Noronha tem argila muito fina, que se dispersa facilmente quando está seco, como agora, e forma lama com facilidade no período chuvoso. A movimentação de terra e a retirada da vegetação para a instalação das placas solares aumentaram a quantidade de poeira, em um período sem chuvas”, analisou Domício Cordeiro.
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