É um túnel que não é escavado na rocha, e sim montado em partes no fundo da água. / Imagem ilustrativa
Para muita gente, chegar à praia em Guarujá ainda significa enfrentar fila de balsa ou uma longa volta pela estrada. A cidade fica na Ilha de Santo Amaro , separada de Santos pelo canal do porto, e essa barreira de água definiu por décadas o ritmo de quem mora e de quem visita o litoral paulista. Agora, o governo de São Paulo prepara uma obra inédita no país: um túnel montado com módulos de concreto afundados no leito do canal, que promete mudar a forma de chegar à ilha.
Na prática, a técnica funciona como um grande quebra-cabeça submarino. Grandes blocos de concreto são produzidos em terra firme, levados flutuando até o local e afundados em uma vala preparada no fundo do canal, onde são encaixados um ao outro e vedados. Depois de pronto, o túnel fica coberto e protegido no leito, permitindo que os navios continuem passando por cima enquanto os carros circulam por baixo.
Longa para quem vai de carro. De acordo com a PPI-SP, a ligação rodoviária entre as duas cidades tem cerca de 40 km e leva aproximadamente uma hora . A alternativa é a travessia de balsa pelo canal, que depende de filas e horários, especialmente em feriados e no verão.
O próprio governo trata a obra como resposta a um pedido antigo da região. O site oficial do Túnel Santos-Guarujá descreve o projeto como o atendimento a uma demanda centenária da Baixada Santista, que há gerações convive com a dificuldade de cruzar o canal do porto.
O tempo de viagem e as formas de chegar. Segundo a PPI-SP, a travessia entre Santos e Guarujá deve cair para até cinco minutos . O site oficial informa que a estrutura terá 1,5 km de extensão, dos quais 870 metros ficarão submersos, com três faixas por sentido para veículos, uma faixa exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e passagens para pedestres e ciclistas.
A obra vai além do túnel em si. A PPI-SP prevê intervenções viárias em Santos e Guarujá para melhorar a circulação e preparar as cidades para o novo volume de carros. Para o visitante, isso significa um acesso mais rápido às praias da ilha e a possibilidade de combinar, no mesmo dia, passeios nas duas cidades sem depender da balsa.
Enquanto o túnel não fica pronto, a ilha segue com seus atrativos tradicionais, que vão das praias de surfe às fortificações coloniais. A Prefeitura de Guarujá e a Prefeitura de Bertioga , que acompanha a candidatura das fortificações paulistas à UNESCO, destacam alguns pontos.
Por meio de uma parceria entre poder público e iniciativa privada. Segundo a PPI-SP, o grupo português Mota-Engil venceu o leilão realizado na B3 em setembro de 2025 , e o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) foi assinado em 28 de janeiro de 2026 . A empresa será responsável por construir, operar e manter o túnel.
O site oficial informa que o projeto conta com R$ 5,13 bilhões em recursos públicos, divididos entre o governo paulista e a União, e deve gerar cerca de 9 mil empregos , impactando a vida de cerca de 2 milhões de pessoas na Baixada Santista. A previsão do governo estadual é que a ligação comece a operar no início da próxima década, depois das etapas de fabricação e imersão dos módulos.
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