Nos Estados Unidos, cerca de metade dos tumores de bexiga é descoberta ainda na camada mais interna do órgão, onde pode ser removida por dentro, sem corte na pele. O diagnóstico de Leandro de Souza, que chegou a ser apontado como o homem mais tatuado do Brasil , está no extremo oposto desse espectro.
A biópsia mostrou que o tumor atingiu o músculo da bexiga, estágio em que o tratamento muda de patamar e passa a incluir a retirada do órgão . Ele relatou que a tomografia não encontrou disseminação da doença e que fará de quatro a seis sessões de quimioterapia antes da cirurgia, prevista para 2027.
O tipo mais comum começa nas células que revestem a parte interna da bexiga, chamadas de transição ou uroteliais, explica o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation. A doença avança em camadas: surge na superfície e, com o tempo, pode alcançar a parede muscular, os linfonodos (gânglios) e outras partes do corpo.
O sinal mais frequente é sangue visível na urina, em geral sem dor e de forma intermitente, o que leva muita gente a adiar a ida ao médico, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.
A projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2026-2028 é de 13.110 novos casos por ano no Brasil, sendo 9.040 em homens e 4.070 em mulheres. Em 2024, a doença causou 5.483 mortes no país.
O tabagismo multiplica por pelo menos três o risco de desenvolver o tumor, e a Sociedade Brasileira de Urologia o associa a mais de 50% dos diagnósticos no país. A exposição profissional a corantes e a aminas aromáticas, substâncias usadas em indústrias de tintas, borracha, couro, têxtil e gráficas, também está entre os fatores estabelecidos. A idade pesa: nove em cada dez pacientes têm mais de 55 anos, segundo a Sociedade Americana de Câncer.
Stefani afirma que os corantes entram na lista de fatores de risco, mas diz que a tinta de tatuagem não costuma ser discutida nesse contexto e que precisaria revisar a literatura antes de apontar uma relação.
Os estudos disponíveis sobre pigmentos de tatuagem e câncer se baseiam, em grande parte, em estimativas teóricas e relatos de caso, e nenhum estabeleceu ligação com tumores de bexiga. O biomédico que identificou o tumor de Leandro disse que o médico consultado descartou relação com o processo de remoção das tatuagens.
Quando o tumor está restrito à superfície, o urologista consegue removê-lo por dentro, com um instrumento introduzido pela uretra. Muitas vezes o tratamento é complementado com a aplicação, dentro da própria bexiga, de uma imunoterapia local feita com o bacilo de Calmette-Guérin (BCG), o mesmo microrganismo usado na vacina contra a tuberculose.
Se o câncer já invadiu o músculo, o cenário muda. As Diretrizes Brasileiras Conjuntas das Sociedades para o tratamento do câncer da bexiga, versão 2026, elaboradas pelas sociedades brasileiras de Urologia, de Oncologia Clínica, de Radioterapia e de Patologia, indicam a cistectomia radical, a retirada da bexiga, precedida de quimioterapia nos pacientes que a toleram.
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