A região Sul de Santa Catarina elegeu quase metade da bancada catarinense na Câmara dos Deputados nas eleições do último domingo (4). Somente a cidade de Criciúma elegeu seis deputados federais, o dobro do que havia registrado no ano passado.
Entre os eleitos está a deputada recordista Júlia Zanatta (PL), eleita com 560 mil votos válidos, a quinta maior votação do país entre os federais.
Além dos seis nomes de Criciúma, os catarinenses ainda elegeram o candidato Zé Milton (PP), ex-prefeito de Sombrio e que também tem base eleitoral no Sul do estado.
Com isso, sete dos 16 deputados federais catarinenses eleitos são do Sul do estado. O Vale do Itajaí foi a segunda região com mais representantes eleitos, ao eleger cinco deputados (confira lista abaixo) .
O advogado especialista em Direito Eleitoral, Pierre Vanderlinde, morador de Criciúma e analista do cenário local, avalia que a região sempre foi bem politizada e teve lideranças históricas, como o ex-governador Eduardo Pinho Moreira e o próprio Júlio Garcia, presidente da Assembleia Legislativa (Alesc) e agora eleito deputado federal.
As atividades do setor de carvão mineral e da indústria são pontos que deram projeção à cidade ao longo do tempo. Apesar disso, o fato de a região ter menos eleitores cerca de 15% do eleitorado catarinense, menos que o Vale do Itajaí e o Oeste, por exemplo, também pode ter contribuído para uma representatividade maior da região de Criciúma.
“Historicamente, sempre foi forte em certo sentido em função de o colégio eleitoral não ser tão grande quanto o de outras regiões, como o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis, que os deputados tivessem costume de explorar bem o Estado por inteiro, visitar outras cidades e regiões, tendo o nome estadualizado”, explica.
Criciúma foi a cidade que mais elegeu deputados federais em uma mesma eleição nos últimos 20 anos em SC. No entanto, o caso não é isolado. Na verdade, dá continuidade a uma expansão do Sul do Estado na Câmara. Na legislatura anterior, a cidade já havia eleito três nomes: Júlia Zanatta (PL), Daniel Freitas (PL) e Ricardo Guidi (à época, PSD). Durante a legislatura, chegou a ter mais dois nomes, quando Luiz Fernando Vampiro (MDB) e Geovania de Sá (Republicanos) assumiram durante licenças dos titulares Carlos Chiodini (MDB) e Carmen Zanotto (Republicanos).
“A gente vê que há um protagonismo. Embora a economia não não seja tão desenvolvida quanto na parte Norte do Estado, politicamente foi a região que mais fez deputados. Eu atribuo a esse quesito de o pessoal gostar de política, ter isso enraizado no comportamento local”, avalia Vanderlinde.
O professor de Administração Pública e pesquisador em Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina, Daniel Pinheiro, lembra que a bancada de Criciúma elegeu além da mais votada Júlia Zanatta também uma antagonista, a agora deputada eleita Giovana Mondardo (PCdoB), que se apresentou na campanha como “o terror da tiarinha” .
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