O historiador Jefter Porto acrescenta que a principal finalidade da ferrovia era transportar cargas. A procura internacional por algodão crescia em meio a mudanças na produção e no consumo, ocasionada por episódios como a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, até então o maior produtor mundial do produto, e o aumento da população e a expansão industrial no início do século XX.
Embora o transporte de cargas fosse a prioridade, o trem também levava passageiros e correspondências . O chamado Trem do Recife, por exemplo, transportava jovens da elite campinense que viajavam para estudar Direito na capital pernambucana, segundo Jefter.
“A lógica que trouxe os trilhos foi a da carga. No final da sua vida, a linha férrea passou a ser só para cargas. Mas, durante o auge, transportava passageiros e mercadorias. O beneficiamento e a distribuição do algodão, somados à condição de ponta de trilho e à localização, tornaram Campina um dos principais empórios do produto no país. Masgente também viajava. O chamado 'Trem do Recife' levava, por exemplo, jovens da elite campinense para estudar Direito na capital pernambucana”, explicou Jefter Porto.
Multidão aguardando chegada do primeiro trem, em Campina Grande. — Foto: Instituto Histórico de campina Grande
Cerca de 4 mil pessoas aguardavam a chegada do trem à Estação Velha de Campina Grande em 2 de outubro de 1907 . Segundo o historiador Jefter Porto, a locomotiva nº 3, da companhia inglesa Great Western, chegou enfeitada com folhas de palmeira e duas bandeiras do Brasil. A recepção teve bandas de música, girândolas e a presença de lideranças locais.
“Euforia completa. A estimativa é de que 4 mil pessoas esperavam a chegada da máquina número 3 da Great Western. Ela chegou enfeitada com folhas de palmeira e duas bandeiras do Brasil na frente. Além da curiosidade, pois muitos nunca tinham visto o trem, com relatos até de pessoas que tiveram medo do barulho ”, contou Jefter.
A expectativa pela ferrovia, no entanto, não começou naquele dia. De acordo com Jefter Porto, a chegada do trem era defendida pela elite comercial e política de Campina Grande desde a década de 1870. O historiador cita o deputado Irineu Joffily, que defendia pela instalação da linha, e o então prefeito Cristiano Lauritzen, seu adversário político. Apesar das divergências, os dois concordavam sobre a importância de levar o trem à cidade.
“A primeira viagem nutriu várias expectativas e sonhos em Campina Grande. O trem era bastante desejado pela elite comercial e política da cidade, desde a década de 1870, o Irineu Joffily já intercedia em favor do trem para a cidade. Apesar de inimigos políticos, Lauritzen e Joffily concordavam nesse ponto. Havia uma simbologia muito grande para a época, o trem para uma cidade do interior era a esperança de conexões e de expansão das redes de comércio, era o símbolo de uma cidade tida como ‘moderna’”, explicou o historiador.
A espera também ficou registrada em fotografia. O historiador Erik Brito destaca a imagem dos passageiros reunidos na Estação Velha enquanto aguardavam a chegada da composição (Veja a foto acima).
“Para nossa sorte ainda foi possível registrar uma foto do dia com os passageiros aguardando o trem na Estação Velha”, disse Erik.
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