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Campina Grande, 162 anos: além do São João, cultura da cidade se mantém viva durante todo o ano

G1há 10h11 de out. de 2026👁 5 leituras

Imagem: G1

Mestre Duduta e Waguinho Duduta, pai e filho músicos referência em chorinho — Foto: Arquivo Pessoal/Waguinho Duduta

Waguinho Duduta carrega consigo uma tradição que existe há mais de setenta anos. Músico, filho de músico e incentivador da música campinense, ele herdou do pai, Duduta, a relação com o choro e a responsabilidade de manter essa tradição viva em Campina Grande.

Waguinho cresceu entre os músicos que frequentavam sua casa e acompanhando de perto a roda de choro criada por José Ribeiro da Silva, o Mestre Duduta, em 1955. As reuniões acontecem todos os domingos na casa onde o músico morou, no bairro da Bela Vista, e reúnem familiares, amigos e músicos . Depois da morte de Mestre Duduta, em 2018, Waguinho assumiu a continuidade dos encontros.

"Eu não tinha noção da grandeza do que meu pai estava fazendo (...) No decorrer da vida, ficando adolescente, foi que comecei a realmente ir entendendo o que ele [Mestre Duduta] estava fazendo", disse Waguinho.

Assim como o pai, Waguinho também começou a dar aulas de música e viu pessoas que passaram pela casa de Mestre Duduta se tornarem músicos e viverem da profissão. Hoje, aos 52 anos, ele mantém uma tradição que atravessa gerações e continua reunindo músicos e frequentadores aos fins de semana.

Roda de Choro de Duduta resiste há 70 anos em Campina Grande — Foto: Arquivo Pessoal/Waguinho Duduta

Para o músico, a convivência construída ao redor da roda também ajuda a explicar como essa tradição conseguiu atravessar diferentes momentos da cidade. Para Waguinho, a música se mantém viva porque existe uma relação de pertencimento entre quem toca, quem frequenta e quem aprendeu a fazer parte daquele ambiente.

"Não só o fato de estar realmente só para tocar, mas aquela coisa da gente se encontrar, de brincar, de conversar, contar piada."

"É uma cidade muito rica culturalmente, artisticamente falando. É muita gente boa aqui, não só de músicos, de artistas em todos os setores. De dança, de cinema, da arte em si, em tudo."

Na visão do músico, essa diversidade poderia estar ainda mais presente na programação cultural da cidade. Ele defende que manifestações como o choro e o samba sejam mais divulgadas e integradas aos eventos, sem que isso signifique diminuir a importância do São João, por exemplo.

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