A cidade de Bragança, no nordeste do Pará, é conhecida por seus igarapés, pela praia de Ajuruteua, pela farinha inconfundível e, claro, pela música - uma história começou em 1667, quando os portugueses trouxeram instrumentos de cordas, que foram acrescentados aos tambores indígenas. Em seguida, os instrumentos de sopro, também trazidos pelos portugueses, também entraram na mistura.
A dança mais típica de Bragança, a marujada, é típica da festa de são Benedito e existe desde 1798. O ritmo surgiu quando os donos das fazendas atenderam o pedido dos escravos para fazer uma festa em homenagem ao santo negro, e combina xote com batidas bem marcadas.
Além da marujada, existe em Bragança uma tradição forte das bandas de música. Em junho de 2013, um projeto do Governo Federal trouxe professores de outros lugares do Brasil para trocar experiências com os bragantinos. A iniciativa agradou especialmente os integrantes da banda Furiosa, uma das mais tradicionais da cidade: com 50 anos de história, o grupo envolve músicos com mais de 70 anos de idade, além de jovens como o saxofonista Anderson Silva, de apenas 14.
"Desde quando eu nasci, meu pai já tocava na banda, aí me incentivei a tocar e agora ingressei", diz o saxofonista.
Outro expoente da música da cidade é o Arraial do Pavulagem. Nos adereços do grupo estão as fitas coloridas, que lembram a festa de são Benedito e a Marujada. O ritmo forte mistura o xote bragantino e as toadas de boi. Segundo o músico Junior Soares, um "caboclo bragantino", como ele mesmo se define, foi impossível fugir das origens: graças ao grupo, a rabeca - uma espécie de violino - voltou a ter destaque na cidade.
"Bragança está presente na sonoridade do Arraial do Pavulagem, no retumbão, no som, nos instrumentos característicos, nós temos onça, por exemplo, que é usado na Marujada. Nas gravações dos nossos discos nós temos as rabecas. Estavam sumindo tanto os instrumentos quanto os tocadores", conta Júnior.
Um dos profissionais responsáveis por este retorno é Aurimar Monteiro, que desenha os croquis das rabecas. Ele criou um instituto que ensina jovens e adultos a arte da música, e o projeto deu tão certo que foi até premiado pelo Criança Esperança. Mesmo sem o mesmo vigor de antigamente, seu Aurimar é uma das pessoas que mantém viva a música da cidade, passando o conhecimento para as novas gerações.
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