Uma comerciante com loja na Estação Rodoviária contou que teve o estabelecimento arrombado.
"Levou chocolate, bala, salgadinho, rapadura, barras de chocolate, as barrinhas menores, grande quantidade de coisa pequena", relata. "Já roubaram fios, entraram numa loja, arrombaram cadeado também. Inclusive a loja um dia ficou sem luz. Aqui no estacionamento lateral eles estacionaram o carro, vieram só para fazer um lanche. E aí, quando voltaram a acionar os porteiros aqui, para ver, tinham roubado uma bolsa também", lamenta.
Frequentadores do local também circulam pelo terminal em busca de dinheiro. Durante a reportagem, uma mulher foi abordada e confirmou ser usuária de drogas. E que estava à procura de dinheiro para sustentar o vício.
Outra estratégia observada foi pedir comida sob o argumento de que seria destinada à família . Em um dos casos, um homem afirmou que a esposa e o filho estavam com fome. Acreditando no argumento do morador de rua, a reportagem comprou refrigerante e bolachas por R$ 22. O homem levou a sacola, atravessou a rua e, minutos depois, retornou e vendeu os alimentos por R$ 12 a um taxista.
Na sequência, ele foi acompanhado até o ponto de venda de drogas. Depois de negociar com um traficante, atravessou a rua e consumiu a droga na calçada, junto com outros usuários.
Para quem trabalha com recuperação de dependentes químicos, a região passou a fazer parte da trajetória de muitos usuários que procuram tratamento. O responsável por um centro de reabilitação de dependentes químicos em Porto Alegre afirma que a área aparece com frequência nos relatos dos pacientes .
"É difícil hoje uma pessoa que chegue aqui procurando ajuda que não tenha passado por aquela região ali. Digamos que hoje virou a cracolândia de Porto Alegre e eles chegam aqui e a gente acaba escutando histórias absurdas sobre a região. A gente acaba nem entendendo assim por que tanta gente num local de pequeno espaço, perto de policiamento, perto das coisas, e a gente vê que às vezes não é resolvido", declara.
Segundo o Coronel Fabrício Rocha da Silveira, comandante do 9º BPM de Porto Alegre, são realizadas tanto ações de patrulhamento ostensivo, quanto a ação de abordagens qualificadas.
"Justamente no sentido de identificação das pessoas, identificação de possíveis contraventores, indivíduos ligados a organizações criminosas, indivíduos com mandado de prisão e no intuito, então, de fazer a prisão e a captura desses indivíduos", disse.
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