Membros do Comando Vermelho saem do Rio de Janeiro para executar traficantes rivais no interior de SP. Crédito: Polícia Civil
RIO CLARO - Após “absorver” criminosos paulistas , o Comando Vermelho (CV) , que tem forte presença no Rio de Janeiro e nas regiões Norte e Nordeste do País, passou a ter membros também em uma cidade estratégica do interior de São Paulo : com cerca de 200 mil habitantes, Rio Claro compõe a chamada Rota Caipira , principal corredor para importação de drogas e armamento que parte de países como Bolívia e Paraguai.
Ainda que em uma espécie de “home office” a partir do Rio, nomes como Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o Léo Bode , tido como o líder da “filial” do CV em Rio Claro , passaram a ser um incômodo para o Primeiro Comando da Capital (PCC) , mas localmente. Procurada em diferentes horários, a defesa de Calixto não se posicionou.
Integrantes da Polícia Civil e do Ministério Público ouvidos pelo Estadão reconhecem o impacto da formação do núcleo paulista do CV, que inclusive resultou em “execuções de cinema” em Rio Claro nos últimos anos , mas rechaçam a ideia de que é um fenômeno que afeta o PCC em uma perspectiva mais ampla, como no domínio do crime organizado no Estado.
As execuções de traficantes ligados ao PCC na região de Rio Claro tiveram início, segundo documentos aos quais o Estadão teve acesso, a partir de 2021. Começava ali uma ofensiva primeiro ligada ao chamado Bonde do Magrelo, grupo local comandado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo ou Teneré.
Segundo autoridades, o bonde, que era formado inclusive por alguns dissidentes ou mesmo ex-parceiros de negócios do PCC, nunca chegou a ser uma facção, mas ganhou relevância no tráfico de drogas local e até já uma interlocução com o Comando Vermelho do Rio.
Foi após a prisão de Menezes, em maio de 2023, que Léo Bode, então integrante do bonde, ascendeu no mundo do crime e entrou de vez para a facção carioca. Outros nomes fizeram movimento parecido, inclusive refugiando-se no Morro Fallet Fogueteiro, área comandada pelo CV na área central da capital fluminense .
Os advogados Mauro Ribas e Renato Soares, responsáveis pela defesa de Menezes, afirmam que o cliente é inocente e nunca “comandou ou participou de qualquer organização criminosa”. Negam ainda que ele tenha envolvimento com assassinatos e dizem confiar na reversão da condenação de Menezes nos tribunais superiores – hoje ele cumpre pena de 23 anos por um homicídio em 2022.
Em nota, a Polícia Civil do Rio afirma que dados de inteligência apontaram que a ida de criminosos de outros Estados para o Rio possibilitou uma aliança estratégica, principalmente do CV, com outras facções de todo o País. Segundo a instituição, mais de 500 suspeitos de outros Estados foram presos pelas forças de segurança do Estado desde setembro de 2024.
A Polícia Civil acrescenta que, por meio de delegacias especializadas e distritais, “investiga de forma contínua a atuação de facções e realiza diligências permanentes para identificar e responsabilizar todos os envolvidos na cadeia criminosa ligada a esses grupos”.
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